A arqueologia reversa de Vhils

Por Estadão · Categoria: Geral ·

A Galleria Continua, em São Paulo, recebe dia 14 de novembro a exposição Atrito: arqueologia do presente , do renomado artista português Alexandre Farto, conhecido mundialmente como Vhils. A mostra propõe uma imersão profunda na memória urbana por meio de uma lógica inversa às transformações contemp

A Galleria Continua, em São Paulo, recebe dia 14 de novembro a exposição Atrito: arqueologia do presente , do renomado artista português Alexandre Farto, conhecido mundialmente como Vhils. A mostra propõe uma imersão profunda na memória urbana por meio de uma lógica inversa às transformações contemporâneas : em vez de acrescentar elementos ao espaço, o artista escava, raspa, perfura e corrói superfícies para revelar o que o tempo encobriu. Crescido na Margem Sul de Lisboa, Vhils moldou seu olhar sob o impacto das transições políticas e do surgimento da publicidade capitalista pós- Revolução dos Cravos . Essa sobreposição de camadas históricas inspirou sua técnica de ‘ arqueologia reversa ’. Na exposição paulistana, esse gesto ganha corpo em diferentes suportes e escalas, utilizando desde o concreto e azulejos tradicionais portugueses até portas de metrô, vídeos e monumentais estruturas metálicas. Um dos destaques são os monolitos de metal revestidos por camadas de cartazes recolhidos em suas viagens globais por metrópoles como Hong Kong, Londres, Rio de Janeiro e Xangai. Essas peças funcionam como uma Torre de Babel contemporânea, onde o ruído e a fricção globalizada se encontram. Contudo, a arqueologia de Vhils sempre retorna ao fator humano . Seus icônicos rostos escavados na matéria pertencem a anônimos – ecoando seu emblemático projeto de 2012 no Morro da Providência –, subvertendo a lógica tradicional dos monumentos ao homenagear quem realmente constrói o cotidiano. Entre a criação e a impermanência, ilustrada de forma radical em seus registros de explosões em alta velocidade, a mostra dilui as fronteiras entre galeria e rua. ‘Atrito’ convida a desacelerar o passo diante da pressa urbana e a enxergar as densas camadas de história que nos separam do passado por milímetros .