Fintech brasileira QI Tech sofre busca e apreensão por ligação de fundos com organização criminosa

Por Estadão · Categoria: Geral ·

A QI Tech , empresa que fornece serviços bancários, sofreu uma busca e apreensão na última quarta-feira, 4, no âmbito das Operações Enxágue e Catéter, promovidas pelo Ministério Público do Paraná e Receita Federal. As investigações apuram fraudes fiscais com uso de fundos de investimentos em direito

A QI Tech , empresa que fornece serviços bancários, sofreu uma busca e apreensão na última quarta-feira, 4, no âmbito das Operações Enxágue e Catéter, promovidas pelo Ministério Público do Paraná e Receita Federal. As investigações apuram fraudes fiscais com uso de fundos de investimentos em direitos creditórios (FIDCs) — todos eles, administrados pela antiga corretora Singulare, adquirida pela QI Tech em 2023. Procurada, a fintech afirmou que os fatos investigados referem-se ao período entre 2016 e 2021, anterior à aquisição da Singulare pela QI Tech. “O papel da QI Tech foi fornecer informações para auxiliar nas investigações das autoridades competentes. A companhia reforça que não está sendo investigada e reitera seu compromisso com a transparência e a legalidade, mantendo-se aberta ao diálogo e à prestação de esclarecimentos sempre que necessário”, diz a QI Tech. A startup se tornou o 26º “unicórnio brasileiro” há dois anos , ou seja, chegou ao valor de mercado de US$ 1 bilhão. O esquema apurado pela Receita Federal e MP do Paraná envolvia empresas de fachada, registradas em nomes de laranjas, que emitiam notas fiscais falsas para gerar créditos tributários indevidos a usinas de biodiesel. Em linhas gerais, quando uma nota fiscal é emitida, quem a emite precisa pagar um imposto, enquanto o suposto comprador do produto, registrado na nota, pode ganhar créditos fiscais com isso. Em um esquema de notas fiscais falsas , o comprador ganha o crédito, mas a operação de compra do produto nunca existiu. A “noteira”, empresa que emite a nota fiscal, é de fachada e nunca paga esse imposto. As notas fiscais da Operação Enxágue e Catéter simulavam a compra e venda de subprodutos de origem animal, como sebo e gordura, e geravam créditos indevidos para usinas de biodiesel, que utilizam esses insumos como matéria-prima. Depois, títulos ligados a essas notas fiscais eram vendidos para os fundos de investimento ligados à Singulare, hoje administrados pela QI Tech, além de securitizadoras. O mercado financeiro dava a aparência de legalidade a títulos sem lastro. No total, as operações bloquearam R$ 271 milhões em ativos ligados ao grupo criminoso. Destes, R$ 63,8 milhões em cotas de 10 Fidcs. Outros R$ 10,9 milhões estavam relacionados a quatro companhias securitizadoras.