Banana verde: o consumo da farinha e da biomassa traz benefícios? Como fazer e usar?

Por Estadão · Categoria: Geral ·

Um alimento versátil, que pode virar farinha para misturar a receitas ou uma pasta capaz de dar cremosidade a sopas e molhos. Essa é a banana verde. As duas formas de preparo fornecem amido resistente, um componente que chega ao intestino grosso e serve de alimento para as bactérias boas que vivem a

Um alimento versátil, que pode virar farinha para misturar a receitas ou uma pasta capaz de dar cremosidade a sopas e molhos. Essa é a banana verde. As duas formas de preparo fornecem amido resistente, um componente que chega ao intestino grosso e serve de alimento para as bactérias boas que vivem ali. Essa característica desperta interesse pelos possíveis benefícios dos ingredientes para a saúde intestinal. A farinha e a biomassa ainda costumam ser associadas ao melhor controle da glicose e à perda de peso — mas são promessas que exigem cautela. Segundo Lara Natacci, pós-doutora em nutrição pela Universidade de São Paulo (USP), os estudos com os dois preparos são poucos, envolvem amostras pequenas e apresentam resultados variados. “E não é um ingrediente sozinho que vai melhorar o intestino, controlar diabetes ou fazer as pessoas emagrecerem”, ressalta. A seguir, conheça mais sobre a farinha e a biomassa. Qual é a diferença entre farinha e biomassa? A farinha é feita com banana verde desidratada e moída. Já a biomassa resulta do cozimento e do processamento da polpa, até formar uma pasta. Por conter menos água, a farinha concentra mais carboidratos e fibras por grama. Já a biomassa é mais úmida, cremosa e perecível. O teor de amido resistente das duas, porém, depende da banana e da forma de processamento. Quais benefícios têm respaldo científico? O amido resistente recebe esse nome porque escapa da digestão no intestino delgado. Ao chegar ao intestino grosso, é fermentado pelas bactérias, produzindo substâncias como o butirato, que participa da manutenção da saúde intestinal. Segundo Ana Paula Leal da Costa, nutricionista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, pesquisas com amido resistente apontam possíveis benefícios para o funcionamento intestinal, a saciedade e a resposta da glicose após as refeições. Isso não significa, porém, que uma colher de farinha ou biomassa caseiras reproduza os mesmos resultados do amido isolado. “Para a banana verde em si, os estudos são menores e mais heterogêneos, então não dá para atribuir à farinha ou à biomassa um efeito próprio comprovado”, explica. Para emagrecimento, a evidência é especialmente limitada. “Não existem evidências clínicas consistentes de que consumir farinha ou biomassa de banana verde, isoladamente, provoque perda de peso significativa”, afirma Luna Azevedo, nutricionista clínica pela USP. Como preparar e conservar? Para quem quiser experimentar a biomassa, Lara orienta lavar bem as bananas verdes e cozinhá-las com a casca até ficarem macias. Depois, basta retirar a polpa e processar, adicionando um pouco de água se necessário para obter a consistência desejada. O preparo deve ser guardado em recipiente limpo e fechado. Segundo Luna, pode permanecer por até três dias na geladeira, a 4 °C ou menos, ou ser congelado em pequenas porções, preferencialmente por até três meses. É importante refrigerar rapidamente e evitar deixá-lo por mais de duas horas em temperatura ambiente. Já a farinha exige descascar, fatiar e desidratar a banana antes da moagem. A secagem precisa ser completa: as fatias devem ficar quebradiças, sem umidade que favoreça o desenvolvimento de mofo. Depois de triturado, o produto deve ser mantido em pote hermético, seco e protegido da luz e do calor. Como pode ser difícil garantir uma secagem uniforme em casa, Luna considera a farinha industrializada de boa procedência uma alternativa mais prática e segura para quem não dispõe de equipamento adequado. Como consumir farinha e biomassa de banana verde? A farinha pode ser misturada a iogurtes, frutas e vitaminas ou incorporada a massas de panquecas, bolos e pães. Já a biomassa ajuda a dar consistência a sopas, molhos e purês. Não existe uma quantidade indicada para todos. Lara recomenda começar com uma porção pequena e observar a tolerância intestinal. O tipo de uso também altera o teor do amido resistente. “O calor úmido reduz parte do amido resistente”, explica Ana Paula. Por isso, ela sugere utilizar a farinha em preparações frias, como iogurtes e vitaminas. O resfriamento após o cozimento pode formar uma parcela desse amido novamente, mas, segundo Lara, não é possível garantir que congelar ou reaquecer aumente os benefícios. Quem precisa ter cuidado? A fermentação do amido resistente pode causar gases, distensão abdominal, cólicas e mudanças no funcionamento intestinal, sobretudo quando o consumo aumenta rapidamente. Pessoas com síndrome do intestino irritável, sensibilidade a alimentos fermentáveis ou doenças gastrointestinais que exigem restrições precisam de orientação individualizada. O mesmo vale para quem tem doença renal e restrições alimentares específicas. No caso de diabetes , é necessário considerar os carboidratos da preparação e o tratamento em uso. Nem todo o amido desses produtos resiste à digestão, e eles não substituem medicamentos ou acompanhamento profissional. Também não é preciso consumir farinha ou biomassa diariamente para cuidar do intestino. “A diversidade de fibras provenientes de frutas, verduras, legumes, leguminosas e cereais integrais continua sendo a estratégia mais importante”, afirma Luna.