Congresso do Paraguai suspende votação de renúncia do presidente; Santiago Peña segue no cargo
O Congresso do Paraguai suspendeu a sessão que decidiria sobre a renúncia do presidente Santiago Peña . A votação foi adiada após deputados do Partido Colorado - o mesmo do presidente - deixarem o plenário e provocarem a falta de quórum. A oposição buscava rejeitar a renúncia para prosseguir com o p
O Congresso do Paraguai suspendeu a sessão que decidiria sobre a renúncia do presidente Santiago Peña . A votação foi adiada após deputados do Partido Colorado - o mesmo do presidente - deixarem o plenário e provocarem a falta de quórum. A oposição buscava rejeitar a renúncia para prosseguir com o processo de impeachment contra o mandatário, enquanto boa parte da base governista propunha aceitá-la, visando viabilizar rapidamente a posse do vice-presidente, Pedro Alliana. Para ser efetivada, a renúncia precisa ser aceita pelas duas Casas do Congresso - por conta disso, Peña segue no cargo. O presidente do Senado, Basilio Núñez, fez a contagem nominal e não chegou ao mínimo de 41 legisladores. Senadores disseram à TV paraguaia ABC Color que a sessão será retomada nesta sexta, já com a pauta do impeachment . Mais cedo, a Câmara dos Deputados aprovou, por unanimidade, a abertura de um processo de impeachment contra o presidente. Na mesma sessão, os parlamentares aprovaram, por 48 votos a 30, um pedido de abertura de processo de impeachment contra o vice-presidente, Pedro Alliana . Peña anunciou sua renúncia ao cargo em um vídeo publicado nas redes sociais, no início da tarde desta quinta-feira. “Tomei a decisão de apresentar minha renúncia à Presidência da República. Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas”, disse Peña. Apesar do anúncio, parlamentares da oposição sinalizaram que não vão aceitar a renúncia de Peña. “Não aceitamos a renúncia de Santiago Peña. É preciso realizar o processo de impeachment contra ele e o vice-presidente Alliana”, afirmou a senadora Esperanza Martínez, do Partido da Participação Cidadã, em uma publicação nas redes sociais. “Rejeitamos a concessão de foro privilegiado a Santiago Peña. Que todos os responsáveis e seus cúmplices sejam punidos. O Paraguai precisa de JUSTIÇA. NÃO AOS PACTOS DE IMPUNIDADE”, acrescentou. A declaração de Esperanza está relacionada à legislação paraguaia, que prevê que ex-presidentes eleitos democraticamente se tornem senadores vitalícios , exceto aqueles que tenham sido submetidos a julgamento político e declarados culpados. Se renunciar sem ser condenado em um processo de impeachment, Peña poderá assumir essa condição e ter acesso às imunidades parlamentares. A crise política e financeira que atinge o país sul-americano começou na terça-feira, 3, após o Banco Central do Paraguai (BCP) decidir intervir no Ueno Bank por insuficiência de capital. Antes do processo, Peña teve ligações com o Ueno. Em abril do ano passado, o presidente admitiu que tinha investimentos na Ueno Holding, empresa ligada ao Grupo Vázquez, controlador do Ueno. O ABC afirmou que, antes de se desfazer das ações, Peña tinha 6,144 bilhões de guaranis (cerca de R$ 5,51 milhões na cotação atual) em participação acionária. /Com informações da AFP e da AP