Paraguaios dizem que Peña fugiu para a Argentina; governo Milei nega
Casa Rosada diz não ter registro do presidente paraguaio em seu território; Peña anunciou que renunciaria, mas opositores querem impeachment e prisão do mandatário após o caso Ueno
O senador paraguaio Antonio Rubén Velázquez (CDN, centro) afirmou que o presidente do Paraguai, Santiago Peña (Partido Colorado, direita), saiu do país rumo à Argentina, onde, segundo Velázquez, pediu asilo ao presidente Javier Milei (La Libertad Avanza, direita). Com a quebra do Ueno Bank , Peña renunciou ao governo nesta 5ª feira (5.nov.2026), mas, logo depois, também teve o pedido de impeachment aprovado pela Câmara do país. O Congresso convocou sessão conjunta para votar o impeachment do presidente nesta 5ª feira (5.nov), mas, após manobra do bloco governista, a sessão foi suspensa por falta de quórum. Opositores defendem que Peña seja formalmente retirado do cargo para que perca o foro privilegiado. Depois da sessão, Velázquez falou com jornalistas: “Peña segue sendo presidente, e mais: temos a informação de que deixou o país sem comunicar. Pelo o que escutamos, acho que ele foi para a Argentina. Aparentemente, ele solicitou asilo a Milei”. A deputada Johanna Ortega, também de oposição, questionou se o presidente paraguaio já havia chegado no território argentino. “Seria uma 2ª violação da Constituição” , afirmou. De acordo com o jornal argentino La Nación , o governo Milei negou que Peña esteja no país. A Casa Rosada disse que não tem “nenhum registro de que ele esteja na Argentina”. Depois da negativa do governo argentino, Peña publicou uma mensagem no X. Não disse onde está, mas afirmou que irá se apresentar para se defender do processo de impeachment. “Colaborarei plenamente com as instituições competentes para que se esclareça o ocorrido, determinem-se as responsabilidades e aqueles que tenham infringido a lei respondam perante a Justiça. Fornecerei as informações que me forem solicitadas. A cidadania merece conhecer a verdade, sem encobrimentos e sem que ninguém esteja acima da lei” , escreveu. RENÚNCIA DE PEÑA Santiago Peña anunciou que renunciaria ao cargo depois do colapso do Ueno Bank, o maior banco digital do país, o que fez com que parte dos congressistas pedisse por seu impeachment. A Câmara dos Deputados do país aprovou por unanimidade o julgamento de impeachment contra o mandatário –mesmo com a sua renúncia. De acordo com informações do jornal paraguaio ABC Color , durante a deliberação do Congresso do Paraguai sobre o impeachment de Peña, manifestações populares pediram a prisão do presidente. O nome mais provável para assumir a presidência do país é o vice-presidente Pedro Alliana (Partido Colorado). A Câmara dos Deputados do Paraguai rejeitou o pedido de impeachment contra ele. RELAÇÃO DE PEÑA COM O UENO Peña assumiu o governo do Paraguai em 2023. Foi acionista do Grupo Vázquez , controlador do banco, até março de 2025. O Ueno ganhou espaço no mercado paraguaio após sua transformação de financeira em banco, em 2023. A oposição ao governo Peña, por sua vez, questiona empréstimos concedidos a empresas ligadas ao Grupo Vázquez –afirmando que os montantes ultrapassaram os limites regulatórios. Congressistas de oposição falam em possível conflito de interesses e dizem que o governo manipulou regras e contou com o “acobertamento” do Banco Central do Paraguai, presidido por Carlos Carvallo. Ele foi presidente do Ueno até agosto de 2023, quando Peña o indicou para presidir o BC paraguaio. A oposição também diz que Peña promoveu mudanças na lei de conflitos de interesses e permitiu a concentração de centenas de bilhões de guaranis do Instituto de Previsão Social no Ueno Bank, acima dos limites estabelecidos pela legislação vigente.