Sem resolver a desordem institucional, nem um gênio da economia consegue fazer milagres

Por Estadão · Categoria: Geral ·

Exército de Lula e Tropa de Flávio . Uma disputa belicosa. Esta eleição escancarou a crise moral que vivemos. Em seu discurso de vitória, Lula prometeu mudar. Para onde, ainda não se sabe. Só espero que o surto Janones seja passageiro. Eu quero a paz, não a guerra. Talvez a promessa de mudança seja

Exército de Lula e Tropa de Flávio . Uma disputa belicosa. Esta eleição escancarou a crise moral que vivemos. Em seu discurso de vitória, Lula prometeu mudar. Para onde, ainda não se sabe. Só espero que o surto Janones seja passageiro. Eu quero a paz, não a guerra. Talvez a promessa de mudança seja sinal de que a reeleição não significará continuidade. Faz sentido: Lula atravessou o terceiro mandato com grande rejeição. Não fosse Flávio do outro lado, talvez o resultado fosse outro. Na economia, um enorme ruído dominou o debate sobre dívida e juros , e não há muito a acrescentar. Enquanto o nome do futuro ministro da Fazenda não vem, Lula tirou Durigan do banco de reservas para anunciar ajustes marginais nos gastos públicos e convocou para uma conversa os suspeitos de sempre. Mas, sem resolver a desordem institucional, nem um gênio da economia consegue fazer milagres. É importante que os Poderes voltem cada um para o seu quadrado e cumpram suas funções de forma institucional, não personalista. A começar pelo STF , guardião da Constituição , que parece ter esquecido sua importância para se dedicar a futricas internas. O Congresso também deveria deixar de lado a chantagem como método. Só o que acordo com Motta e Alcolumbre não é exatamente um sinal de mudanças na relação com o Executivo. A polarização transformou a eleição num campo de batalha. Estão órfãos os que, como eu, se recusam a participar da guerra. Dizem que o bolsolulismo acabou. Tenho dúvidas: mal se encerrou a apuração e já se discutem os nomes dos seus herdeiros. Como sair dessa armadilha? Com as regras eleitorais atuais, a renovação é quase impossível. As barreiras à entrada de novos nomes e partidos são evidentes: fundos partidários bilionários, tempo de televisão, uso das redes e presença nos debates. Tudo conspira para que tudo fique como está. Dar um jeitinho para salvar partidos que esbarraram na cláusula de barreira também não é solução. Não há como competir com um partido como o PL , que terá mais de um bilhão de reais nos fundos, nem com o desrespeito dos incumbentes à legislação eleitoral. Se as regras da competição continuarem as mesmas, apenas a troca de nomes não dará fim à polarização. Ela não começou hoje. Nasceu nos anos FHC , com o “nós contra eles” petista, e foi sendo radicalizada nos últimos anos. O centro liberal foi abatido pelo caminho. Não por acaso, Lula tem saudade do PSDB como oposição. Eu tenho saudade é do próprio FHC. Imaginava ser o início de uma grande aventura democrática no Brasil. Ilusão; depois dele, o dilúvio.