Não falei com Lula nem tenho nada marcado, diz Lara Resende

Por CNN Brasil · Categoria: Nacional ·

Tese do economista para queda dos juros gerou ruído no mercado e no governo federal nos últimos dias; à BBC News Brasil, Lara Resene diz que 'notícia foi plantada'

O economista André Lara Resende afirmou que não conversou sobre nenhuma proposta econômica com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e que não tem nenhum encontro marcado com o chefe de Estado. Lara Resente tem tomado conta do noticiário nos últimos dias após informações de que o economista se reuniria com o presidente, reacendendo preocupações no mercado financeiro e entre especialistas de diferentes correntes. As informações foram dadas à BBC News Brasil . “Eu não falei com o presidente Lula, não tenho nem tive contato com ele, assim como não tenho nada marcado”, afirmou. “Essa notícia foi plantada obviamente para queimar a proposta ou [prejudicar] alguém que não eu, porque todo mundo sabe que eu não quero ir para o governo — incluindo o próprio Lula. Estão queimando alguém que defendeu essa proposta, uma briga interna dentro do governo na qual eu entrei como Judas no Pai Nosso”. Airbnb eleva previsão de crescimento da receita anual com alta em viagens Fundos de investimento ampliam opções de diversificação Seguro digital no app: como o celular centraliza a proteção automotiva O nome do economista entrou em cena, principalmente, depois da ex-ministra Gleisi Hoffmann (PT) elogiar um artigo publicado por ele pelas redes sociais , afirmando que era “fundamental para enfrentar essa ofensiva terrorista” dos mercados contra a agenda fiscal do governo. No artigo, o economista propõe criar um CFMN (Conselho Fiscal e Monetário Nacional), que estabeleceria metas conjuntas para a política fiscal e monetária, com horizonte de quatro a cinco anos. Alvo de críticas do mercado financeiro, a parte considerada mais controversa da proposta prevê que o Banco Central manteria a taxa básica de juros em um intervalo entre 3% e aproximadamente 5,5% ao ano (crescimento nominal potencial estimado). A Selic só poderia ficar fora desse intervalo em situações excepcionais autorizadas pelo conselho. Lara Resende ainda defende uma transição em 12 meses para levar a selic a 7,5% ao ano. Atualmente, a taxa básica de juros está em 13,75% depois da manutenção da Selic por parte do Copom (Comitê de Política Monetária) em sua última reunião, em 4 de novembro. Lara Resende afirmou que o núcleo central de sua proposta parte do pressuposto de que “o déficit fiscal brasileiro se dá sobretudo devido ao serviço da dívida [pública, ou seja, os juros pagos sobre a dívida]”. Gabrielli celebra fim do "pensamento único" e endossa ideia de Lara Resende | BASTIDORES CNN Para ele, a dívida pública é alta, cerca de 80% do PIB (Produto Interno Bruto) , mas não é considerada extraordinariamente alta. Portanto, o problema do déficit, em sua visão, passa a ser mais atrelado ao juros elevados do que da própria dívida em si. “O núcleo da proposta é responder porque a taxa básica de juros é extraordinariamente alta no Brasil e como escapar dessa armadilha. Não significa subscrever que o país não tem problemas com gastos [públicos] e com tributação. Nossa política fiscal tem muito que ser aprimorada. Os gastos, por exemplo, são em grande parte patrimonialistas, demagógicos e populistas, mas não são eles que estão criando o problema do déficit fiscal brasileiro.” A opinião técnica de Resende vai contra a maior parte do mercado. José Júlio Senna, por exemplo, economista e ex-diretor do Banco Central , discordou, em entrevista ao WW da CNN Brasil , das teses apresentadas. “Não há aspecto algum do texto com o qual eu me sinta à vontade de concordar”, declarou Senna, que admitiu que os juros exercem “uma influência importante”, mas que não são a principal ou única causa do problema. *Com informações de Daniel Rittner e Danilo Moliterno, da CNN Brasil Juros altos preocupam 69% dos brasileiros com aumento do custo de vida