Crise no Paraguai se agravou com isolamento político de Santiago Peña, diz professor
O professor de Ciência Política e Sociologia da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) Júnior Ivan Bourscheid afirmou em entrevista ao Jornal da CBN que a crise política no Paraguai foi resultado de um processo de desgaste do governo de Santiago Peña. Segundo ele, o presidente c
O professor de Ciência Política e Sociologia da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) Júnior Ivan Bourscheid afirmou em entrevista ao Jornal da CBN que a crise política no Paraguai foi resultado de um processo de desgaste do governo de Santiago Peña. Segundo ele, o presidente começou o mandato com uma forte articulação dentro do Partido Colorado, mas passou a se afastar de alianças políticas que davam sustentação à gestão. 'Ele começou a fazer um governo com um argumento muito mais tecnocrático e começou a se afastar dessas alianças políticas que ele havia construído. Isso acabou com o tempo isolando ele politicamente. E com esse certo isolamento foram surgindo denúncias de corrupção, denúncias de malversação dos fundos públicos, de baixa capacidade de resposta governamental às políticas públicas fundamentais que a população buscava'. Bourscheid também analisou que a ligação de autoridades com o Banco Ueno e a participação de recursos públicos na instituição aumentaram a insatisfação da população em meio à crise financeira. 'Não é apenas a questão de ser o acionista, que já seria uma questão muito complicada, mas é que muito dinheiro público foi colocado nesse banco também. A maior parcela dos aportes em dólares feitos nesse banco vieram de entes públicos. Isso acaba gerando também um certo repúdio da população por considerar que foi duplamente enganada'.