Entenda por que ações de IA despencaram após vitória democrata nos EUA; eleitos prometem fim de centro de dados

Por CBN — Mundo · Categoria: Internacional ·

Os mercados em todo o mundo sofreram um baque em meio a temores de uma desaceleração da inteligência artificial após a vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. Após meses de investimentos maciços no setor, há receios de que democratas mais favoráveis ​​à regulamenta

Os mercados em todo o mundo sofreram um baque em meio a temores de uma desaceleração da inteligência artificial após a vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. Após meses de investimentos maciços no setor, há receios de que democratas mais favoráveis ​​à regulamentação possam desacelerar a indústria de IA dos EUA, à qual muitos setores tecnológicos e economias mundiais estão atrelados. Na corrida para as eleições de meio de mandato, vários candidatos democratas de destaque disseram que se opunham à construção de mais centros de dados de IA. Nos EUA, empresas perderam US$ 2,5 trilhões em uma onda de vendas frenética, consequência de temores antigos dos investidores sobre o retorno real de seus investimentos em IA. Um dos receios que estão a abalar os mercados diz respeito aos centros de dados. Esses locais são enormes armazéns de servidores informáticos, essenciais para o funcionamento de serviços como o ChatGPT e o Claude. Durante a campanha para as eleições de meio de mandato, vários candidatos democratas falaram sobre a necessidade de conter o avanço acelerado da indústria de inteligência artificial e dar às comunidades locais mais voz nos projetos que surgem em suas regiões. A governadora eleita do Texas, Gina Hinojosa, prometeu proibir todas as aprovações de data centers até que leis fossem aprovadas 'para proteger os texanos, para que eles tenham voz ativa nas decisões sobre se e como os data centers serão instalados em nossa comunidade'. O senador eleito também do Texas, James Talarico, prometeu 'responsabilizar os centros de dados' e 'capacitar as comunidades locais a decidirem se querem um centro de dados em sua cidade'. O Texas é um dos estados com maiores investimentos em centro de dados do mundo todo. Inteligência artificial Reprodução/Pexels Senador eleito de Michigan, Abdul El-Sayed, disse que faria com que os centros de dados paguem por sua própria demanda de energia, permitir que as comunidades participem de sua aprovação e obrigá-los a garantir empregos locais. A análise de especialistas é que os eleitores deixaram clara as opiniões contra os data centers. Eles elegeram candidatos que prometeram dar às comunidades mais controle sobre como e quando os centros de dados seriam construídos, refrear suas demandas e até mesmo introduzir uma moratória no desenvolvimento desses espaços. A rápida expansão dos centros de dados gerou oposição local, com preocupações generalizadas sobre a quantidade de água e energia que eles consomem. As instalações barulhentas, que consomem muita água e energia, se tornaram cada vez mais impopulares, mesmo com exageros em relação ao seu uso real. Em vários estados, os centros de dados estavam literalmente nas cédulas eleitorais, com os eleitores decidindo se restringiriam ou não seu desenvolvimento: em geral, eles defenderam a restrição. Os centros de dados também têm sido responsabilizados pelo aumento das contas de energia, em um momento em que o custo de vida continua a pesar bastante. A reação negativa nos EUA foi tão grande que a OpenAI já havia declarado que assinaria acordos locais e cobriria os custos de eletricidade e de modernização da rede elétrica para futuros centros de dados. Ações de empresas de IA despencam e bolsas mundiais recuam com temor de regulação mais rígida Wall Street é famosa por ser o coração financeiro dos Estados Unidos e onde está localizada a principal bolsa de valores do país. Reprodução/Wikimedia Commons As ações ligadas à inteligência artificial despencam nas bolsas mundiais. Nesta sexta-feira (6), os títulos de grandes empresas de tecnologia registraram forte queda nos mercados asiáticos, repetindo o movimento observado em Wall Street na véspera. Em consequência, a Bolsa de Tóquio encerrou o pregão com queda de quase 6%; Taipei, de 4,5%; e Seul, de 6%. As bolsas europeias seguem a mesma tendência e operam em baixa nesta manhã. Os mercados temem uma regulamentação mais rígida da inteligência artificial após a vitória esmagadora dos democratas nos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato. Já o dólar avança, mostrando que resiste à queda das ações de tecnologia. Nesta sexta (6), a moeda americana ganhava 0,44% em relação ao euro, sendo negociada a US$ 1,11 por euro. A moeda americana também avançava 0,49% diante da libra esterlina, valendo quase US$ 1,34 por libra. O mercado de câmbio parece disposto a tratar a queda das ações de tecnologia como um fenômeno pontual ligado à onda azul democrata, e não como um grande revés macroeconômico, apontam especialistas. A força do dólar neste ano tem sido sustentada pela alta dos preços da energia, completam os analistas. Os preços do petróleo caíram desde o início da semana, pressionados pela intensificação das negociações diplomáticas no Oriente Médio e pela vitória dos democratas no Congresso americano. Isso aumenta a pressão sobre o presidente Donald Trump para negociar com o Irã o fim do conflito.