Construir com impressão 3D? Projeto de engenharia do MIT cria vigas plásticas capazes de sustentar ponte a partir de garrafas recicladas
Lixo pode virar material de construção mais barato em breve; missão da empresa é construir um bilhão de casas com vigas feitas com robótica e impressão 3D
Uma dupla de engenheiros transformou um projeto desenvolvido no MIT (Massachusetts Institute of Technology), uma das principais referências em tecnologia e inovação do mundo, para o mercado da construção civil . A partir de garrafas plásticas recicladas, os fundadores da Atlas Building Composites modelaram um material durável para montar vigas para casas , pontes e outras estruturas. Tudo começou no MIT HAUS, um núcleo de pesquisa do Departamento de Engenharia Mecânica especializado em arquitetura sustentável . Hoje, a empresa tem entre seus colaboradores o Corpo de Engenharia do Exército dos Estados Unidos, e quer usar sua invenção para construir “um bilhão de casas em até 30 anos”. “Estamos transformando garrafas em prédios” Em entrevista ao Slice of MIT, veículo universitário que destaca projetos de estudantes e ex-alunos, o cofundador A.J. Perez conta que “a missão é converter resíduos plásticos poluentes em compostos duráveis para construção.” “O método convencional para construir casas envolve derrubada de árvores, mineração, refino e muitas outras atividades ‘sujas'”, afirma. “Queremos evitar tudo isso e reaproveitar todo o plástico que acaba indo para nossos oceanos e aterros.” As vigas plásticas da Atlas já foram utilizadas para erguer e sustentar galpões, celeiros, varandas e cais. A última colaboração da empresa foi com engenheiros militares do Exército dos Estados Unidos, fornecendo treliças para construir uma ponte num pântano de Massachusetts. Leia Mais: Por que a Nintendo está apostando em um remake de um jogo de quase 30 anos? Google planeja data center de US$ 17 bilhões nos EUA CNN Tech: o que avaliar antes de comprar um celular novo na Black Friday “Este é um dos usos mais sustentáveis para a reciclagem de produtos petroquímicos”, diz Matt Pouliot, o outro fundador do projeto e ex-senador do estado de Maine. “Isso é importante porque, quando você recicla materiais várias vezes, eles se degradam. Se você integrar o material a uma construção e ele cumprir seu papel, continuará sendo usado por muito tempo e não precisará ser reciclado novamente.” Além de aperfeiçoar o material e o processo produtivo, a Atlas pretende licenciar sua tecnologia e fornecer máquinas para empresas de todo o mundo. “Serão todos os países utilizando peças produtivas da Atlas para criar empregos locais na reciclagem, na fabricação e na construção, estimulando suas economias com matéria-prima local.” Como as vigas plásticas são feitas? O primeiro passo é triturar objetos descartáveis de plástico, como garrafas de água, e inserir os pedaços no sistema chamado Atlas Factory Stack. A plataforma de manufatura robótica derrete o material e o mistura com fibra de vidro, produzindo uma substância mais firme do que madeira. Esta substância alimenta uma impressora 3D, que a molda em treliças, vigas e outras peças para sustentar pisos, paredes, tetos e pontes. Vigas são produzidas combinando material reciclado, impressão 3D e robótica • Reprodução/Slice of MIT Durante o desenvolvimento no MIT, os engenheiros conseguiram criar treliças grandes capazes de suportar até 1,8 toneladas em apenas 13 minutos. Hoje, afirmam ter capacidade produtiva para entregar todos os dias componentes estruturais suficientes para construir uma casa pequena. Outro destaque é a eliminação da demanda de água no processo de reciclagem. “Essa é a chave para democratizar a reciclagem”, diz A.J. Perez. “Agora, todos os países, independentemente de seu acesso à água, poderão fazer algo com seu plástico. Quando você fala com autoridades de governo sobre abrir um novo estabelecimento de reciclagem, eles precisam envolver a agência local de controle da água. Muita dessa burocracia desaparece com o processo de reciclagem sem água.”