Senado do Paraguai inicia sessão que pode definir futuro de Santiago Peña
Senadores tentam retomar processo de derrubada do cargo do presidente enquanto Santiago Peña pede mais tempo para preparar defesa
O Senado do Paraguai deu início à sessão que vai definir os rumos do processo de impeachment do presidente Santiago Peña na manhã desta sexta-feira (6). Os parlamentares vão decidir se aceitam prorrogar de 12 para 72 horas o prazo para que Peña prepare sua defesa, em meio a uma crise gerada pelo fechamento de um banco que afetou milhões de pessoas. Se recusarem, será possível dar continuidade à votação do impeachment. A Casa iniciou as discussões sobre o caso na noite de quinta-feira (5), horas após a Câmara de Deputados aprovar a remoção do presidente do poder por unanimidade. Em tentativa de evitar o impeachment e suas consequências, Peña chegou a apresentar sua renúncia do cargo, mas o processo de aprovação no Congresso está paralisado. A sessão conjunta foi suspensa na quinta-feira (5) após parlamentares governistas deixarem o plenário, gerando falta de quórum para a votação. Pedido da defesa Peña diz ter recebido a notificação do Senado às 22h15 de quinta-feira, com uma acusação de 15 folhas e mais 300 páginas com anexos. O político do partido Colorado usou o argumento de que um período de menos de 12 horas para o preparo da defesa seria “insuficiente” dentro dos padrões do Estado democrático de direito. A sessão estava marcada para começar às 10h. O presidente do Senado, Basilio Núñez, destinatário do pedido, enviou a carta à CNN Brasil. Documento em que Santigo Peña pede prorrogação para preparar sua defesa no processo de impeachment • Senado do Paraguai Horas depois, ele publicou uma foto ao lado de seus advogados. “Esperamos que o Senado obrigue minha solicitação de prórroga do plazo para exercer meus direitos constitucionais de defesa, ante sua notória insuficiência”, disse na publicação das redes sociais. Junto con mis abogados, Adolfo Ferreiro y Ricardo Preda, estamos esperando que el Senado otorgue mi solicitud de prórroga del plazo para ejercer mis derechos constitucionales de defensa, ante su notoria insuficiencia. https://t.co/dtyaDuwMRM — Santiago Peña (@SantiPenap) November 6, 2026 As decisões do Congresso do Paraguai acontecem em meio às acusações de que Peña estaria envolvido em irregularidades ligadas ao Ueno Bank , instituição que fechou as portas na terça-feira (3), afetando milhões de cidadãos. Parlamentares acusam o presidente de negligência no cumprimento do dever devido ao colapso da instituição. Autoridades afirmam que cerca de três milhões de clientes foram afetados, sem acesso às contas. Entenda a crise do “Banco Master paraguaio” O banco Ueno, de propriedade do Grupo Vázquez, fechou suas portas na terça-feira (3) depois que o Banco Central do Paraguai iniciou um processo de liquidação da instituição ao constatar um déficit em seus índices de solvência relacionado a empréstimos concedidos a empresas vinculadas. Peña, um economista que assumiu o governo em 2023 , foi acionista até março do ano passado do grupo proprietário do banco, que contava com cerca de 3 milhões de clientes e concentrava cerca de US$ 850 milhões (equivalente a cerca de R$ 4,6 bilhões) em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social. A oposição acusou Peña de conflito de interesses, manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e encobrimento institucional por parte do Banco Central, entre outros pontos. “Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente… o senhor é a origem desse monstro que criou”, disse a deputada da oposição Rocío Vallejo durante sessão, pouco antes de apresentar a acusação contra o presidente. Peña afirmou em uma publicação na rede social X que os responsáveis pelas irregularidades responderão perante a Justiça, sem exceções, pouco antes de promulgar uma lei que permitirá aos poupadores do Ueno recuperar seu dinheiro em menos tempo. “Peço veementemente a todos os setores políticos que coloquem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse”, afirmou ele. *Em atualização Entenda crise em banco que levou Paraguai a votar impeachment de Peña