Revolut vai investir US$ 1 bi na América Latina e quer dobrar ritmo de novos clientes no Brasil
A fintech britânica Revolut vai investir US$ 1 bilhão na América Latina e prepara uma nova ofensiva para dobrar o ritmo de aquisição de novos clientes no Brasil no ano que vem. O País e o México estão entre os cinco mercados que mais crescem em toda a operação global, mas os recursos também serão al
A fintech britânica Revolut vai investir US$ 1 bilhão na América Latina e prepara uma nova ofensiva para dobrar o ritmo de aquisição de novos clientes no Brasil no ano que vem. O País e o México estão entre os cinco mercados que mais crescem em toda a operação global, mas os recursos também serão alocados nas outras três economias da região que a instituição financeira considera prioritárias: Peru, Colômbia e Argentina. Os números foram anunciados em um jantar com jornalistas na quinta-feira, 5, em São Paulo, na véspera da etapa brasileira da Fórmula 1. O evento é parte central da estratégia de expansão da companhia, que patrocina a Audi, a escuderia do piloto paulista Gabriel Bortoleto. “Para nós, este ano foi um ponto de inflexão para o mercado brasileiro”, afirmou o chefe de crescimento da América da Revolut, Ignacio Zunzunegui. “Foi quando realmente observamos uma mudança significativa no ritmo de crescimento do mercado, que mais do que triplicou”, acrescentou. Os novos esforços acontecem após a Revolut concluir, nesta semana, uma venda secundária de ações que a avaliou em US$ 115 bilhões. A cifra é o dobro do valor de mercado de seu principal rival a nível global, o Nubank, que vale cerca de US$ 57 bilhões na Bolsa de Nova York. Ao contrário da concorrente brasileira, a fintech inglesa tem capital fechado, mas não esconde planos de estrear em bolsa quando houver uma oportunidade adequada. Expansão global Fundada em 2015 no Reino Unido, a Revolut entrou em uma fase mais agressiva de expansão internacional e já atua em mais de 40 países, com cerca de 80 milhões de clientes. Para atingir a meta de longo prazo de alcançar 100 milhões de usuários em 100 praças, a fintech mantém plano de anunciar duas novas entradas a cada seis meses. As mais recentes foram na Austrália e Nova Zelândia. A “joia da coroa” deve ser os Estados Unidos, onde a Revolut obteve uma primeira aprovação condicional e agora aguarda a licença bancária definitiva. A expectativa é a de que o país e a América Latina representem, juntos, um a cada quatro cadastros globais de novos clientes da fintech em 2027. “Isso representa quase o dobro do ritmo de crescimento do ano anterior e quatro vezes o ritmo de dois anos atrás”, disse Zunzunegui. No México, a Revolut atingiu a marca de 1 milhão de clientes, cerca de oito meses depois de ter iniciado as operações. A lista de espera já tinha cerca de 200 mil interessados antes mesmo do lançamento. Junto com o Brasil, o país será um dos que mais receberá investimentos da instituição, segundo os executivos da multinacional. A fintech avalia que a oferta de crédito deve ser um dos elementos mais importantes para avançar na região, mas vai colocar todas as fichas nessa atividade. O banco digital trabalha com um nível baixo de taxa de relação entre empréstimos e depósitos, entre 3% e 4% — ou seja, empresta de R$ 3 a R$ 4 para cada R$ 100 depositados por clientes. “Para não ficarmos dependentes do crédito nem vulneráveis às crises macroeconômicas, a ideia é construir uma empresa sólida, com negócios diversificados, e encarar o crédito como uma oportunidade adicional de rentabilidade”, explicou o CEO da Revolut no Brasil, Glauber Mota. Licença bancária A instituição financeira opera no País como Sociedade de Crédito Direto (SCD) desde 2023, mas já mantém discussões preliminares para subir alguns degraus na escala regulatória e eventualmente obter a autorização para atuar como banco múltiplo. Não há, porém, um cronograma definido para iniciar o processo, de acordo com Mota. “A cada trimestre, voltamos a discutir se chegou a hora para isso”, disse. “Queremos ter uma licença bancária completa para otimizar nosso balanço quando atingirmos uma escala maior no crédito”, acrescentou. Ao contrário do que fez na Argentina, onde comprou a filial local do francês Cetelem, a fintech indica que deve buscar uma licença brasileira por meio de um processo próprio, diretamente com o Banco Central. “Só consideramos fazer uma aquisição quando ela representa uma vantagem em termos de velocidade de entrada no mercado”, disse o gerente-geral de expansão internacional da Revolut, Carlos Daniel Urrutia.