Paratletas do Amazonas buscam quebrar recordes escolares em SP
Base sustentada pelo atletismo almeja superar as 44 medalhas obtidas no ano passado e buscar vagas no Top 10 por modalidade
O paradesporto escolar amazonense se prepara para encarar mais um desafio crucial no calendário do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) . Disposta a romper barreiras e reescrever sua história na maior competição da categoria no país, a delegação do Amazonas embarca no próximo dia 16 de novembro rumo a São Paulo com uma comissão formada por 69 integrantes — entre jovens estudantes paralímpicos, técnicos, staff, equipe médica e chefia de delegação. O objetivo é claro: superar o expressivo retrospecto do ano passado, quando os paratletas da terra conquistaram 44 medalhas na etapa nacional das Paralimpíadas Escolares . A estrutura do torneio será dividida em dois momentos decisivos. A primeira fase ocorre de 18 a 20 de novembro , no tradicional Estádio Olímpico do Ibirapuera , concentrando as disputas de Atletismo com 45 componentes da equipe. Já entre os dias 25 e 27 de novembro , a movimentação migra para o Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro , onde os pratas da casa competirão no badminton, bocha, natação, tênis de mesa, halterofilismo, judô e na inédita participação amazonense no tiro com arco . O chefe da delegação e coordenador do Núcleo de Desporto Escolar da Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (Seduc) , Joniferson Vieira , ressalta que a relevância do torneio vai além da disputa de pódios, funcionando como uma verdadeira vitrine para a descoberta e o polimento de novos talentos barés. Para esta edição, o grande sarrafo a ser ultrapassado é superar os recordes obtidos na etapa nacional de 2025 , que somou oito marcas batidas apenas na pista e no campo. O chefe da delegação amazonense, Joniferson Vieira, acompanha os talentos barés nas Paralimpíadas Escolare desde 2018. (Foto: Jhonny Lima/A CRÍTICA) “O atletismo é a nossa grande esperança de medalhas. Temos dois atletas líderes no ranking de suas idades, que são a Cleonor (Camarão) e o Jhonatan (Gabriel) . Provavelmente vão disputar o título com perspectiva real de recordes.” Joniferson Vieira Além das duas promessas, o pelotão de frente do estado conta com nomes de peso que defendem marcas históricas e tentam superar seus próprios limites: Ismael Martins Tavares (detentor do recorde escolar nos 100m e 400m); Efraim Costa da Silva (recordista nos 800m e 150m); Raiane Vitória Rabelo (recordista nos 800m); Débora Vitória (atual recordista nos 200m); e Abraão Almeida Moura , que entra na pista para defender o topo na prova dos 800m. Tarimbado do atletismo amazonense, Efraim Costa batreu dois recordes escolares ano passado. (Foto: Jhonny Lima/A CRÍTICA) A delegação combina essa nova safra com a maturidade de paratletas tarimbados como Manassés Cruz, Ludmarlon Rocha e Aldemir Tavares , que servem de bússola para os estreantes Matheus Henrique e Túlio Gonzaga . União de forças e a construção de uma família paralímpica A consolidação do Amazonas no cenário nacional é fruto de uma engrenagem que integra escolas, universidades e agremiações . Segundo Joniferson Vieira, o crescimento técnico reflete o trabalho em rede realizado entre a Associação Amazonas Paralímpico (AAP) , a Associação Paralímpica do Norte (Apam) , a Associação Master de Atletismo , o Centro de Referência Paralímpico (CRP) na pista da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e o trabalho desenvolvido na Vila Olímpica pelos professores Sérgio Nazareno e Thaís Chaves , e o técnico Joaquim Filho . “Ano passado nós tivemos uma boa participação e perspectiva de medalhas no judô, badminton, bocha, natação e tênis de mesa. Agora temos a estreia do Amazonas no tiro com arco , além do halterofilismo que já tem uma estrada consolidada. O atletismo é a nossa base profissional. A nossa ideia à frente da chefia de delegação foi exatamente essa: ser o elo agregador, unindo praticantes, clubes e associações. Conseguimos construir uma seleção bem unida; apesar de cada paratleta defender seu clube, formamos hoje uma verdadeira família paralímpica escolar .” Joniferson Vieira O gestor pondera que, embora a ausência de modalidades coletivas impacte a pontuação geral do estado — mantendo o Amazonas tradicionalmente entre a 10ª e a 15ª posição —, a força individual do atletismo credencia a equipe a almejar um lugar no Top 10 por modalidade este ano. Joniferson faz questão de destacar também a inclusão de paratletas do interior e os desafios logísticos superados. Ismael Martins Tavares foi um dos grandes destaques em 2025, com dos recordes batidos. (Foto: Jhonny Lima/A CRÍTICA) “Sabemos de toda a dificuldade de transporte e locomoção. Sair do Amazonas já é complexo e oneroso, pois dependemos essencialmente do transporte aéreo para grandes competições. Muitos paratletas precisam recorrer a vaquinhas em outros momentos, mas, para as Paralimpíadas Escolares, a Seduc tem prestado um suporte fundamental ao longo do tempo. Esperamos representar o Amazonas à altura de sua história”, pontuou o coordenador. Abraão de Almeida Moura brilhou em SP ano passado, quebrando o recorde escolar nos 800m, classe T20, Sub-18, além de conquistar o ouro nos 1500m e a prata nos 400m. (Foto: Jhonny Lima/A CRÍTICA) Duas décadas de legado A trajetória do Amazonas na competição confunde-se com a história de dedicação do professor e técnico Joaquim Filho . Pioneiro na modalidade, ele relembra os primeiros passos dessa jornada que completa quase duas décadas de continuidade ininterrupta. “Em 2006 foi o início dos Jogos Escolares Paralímpicos, lá em Fortaleza. Em 2007, conseguimos levar as duas primeiras modalidades, natação e atletismo, para Brasília. De lá para cá, graças a Deus, nunca deixamos de participar de nenhuma edição. São praticamente 20 anos de Paralimpíada Escolar . Já fomos campeões em várias modalidades e hoje estamos levando sete modalidades com chances reais de medalha . Louvo a Deus por estar vivo nesses 20 anos para contar essa história e ver o crescimento do desporto adaptado no nosso estado.” Joaquim Filho Joaquim reforça ainda que o salto de patamar do paradesporto amazonense passa pela divisão de forças na gestão e no suporte técnico, citando a chegada de parceiros e a atuação de Joniferson na coordenação como divisores de águas no processo de expansão. “O trabalho cresceu muito de 2018 para cá. A chegada do Joniferson somou demais, porque é diferente você ser apenas o professor de educação física ou o técnico querendo abraçar tudo sozinho. Ninguém consegue nada só. Você precisa de pessoas que venham para somar, ajudar e multiplicar. Ele chegou realmente para multiplicar e nos possibilitou trazer novas modalidades para as Paralimpíadas Escolares. O Amazonas fará, com certeza, uma representação memorável em São Paulo ”, finalizou Joaquim Filho .