Quem é Miguel Vázquez, empresário por trás da crise do Ueno Bank no Paraguai?
Aos 36 anos, Miguel Vázquez enfrenta investigação após crise que também provocou turbulência política no país O post Quem é Miguel Vázquez, empresário por trás da crise do Ueno Bank no Paraguai? apareceu primeiro em Times Brasil | CNBC.
A intervenção do Banco Central do Paraguai (BCP) no Ueno Bank colocou o empresário Federico Miguel Vázquez Villasanti no centro de uma crise que ultrapassou o setor financeiro e chegou ao governo do presidente Santiago Peña. Aos 36 anos, o fundador da instituição foi preso, após problemas na estrutura de capital do banco. Conhecido como o “Vorcaro do Paraguai”, em referência ao brasileiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, Vázquez construiu sua carreira no setor financeiro desde os 18 anos. A investigação sobre o Ueno envolve suspeitas de concessão de empréstimos acima dos limites legais a empresas ligadas ao grupo empresarial do próprio fundador. Leia também: ‘Master paraguaio’: Defesa de Peña ameaça pedir anulação de impeachment e recorrer à Justiça internacional Ueno Bank entra em crise após suspeitas sobre empréstimos Segundo o jornal paraguaio ABC, o Banco Central iniciou a investigação após identificar indícios de operações de crédito acima do limite permitido para empresas relacionadas ao Grupo Vázquez . A legislação paraguaia estabelece que empréstimos a pessoas ou empresas ligadas à propriedade ou à administração de uma instituição financeira não podem ultrapassar 20% de seu patrimônio efetivo. O crescimento dos depósitos também chamou a atenção. O Ueno passou de 70 bilhões de guaranis em captações iniciais de depósitos públicos, cerca de R$ 62,9 milhões, para 3,45 trilhões de guaranis (R$ 3,1 bilhões) em pouco mais de dois anos. Diante dos problemas financeiros, o conselho do BCP aprovou por unanimidade um processo de resolução do banco. Além disso, a autoridade monetária assumiu o controle da instituição. De acordo com o Banco Central, o índice de solvência do Ueno caiu para menos da metade do mínimo exigido. Dessa forma, o mecanismo de resolução permite transferir depósitos de uma instituição em dificuldades para outros bancos antes da liquidação dos ativos restantes. Ueno Bank e a trajetória empresarial de Miguel Vázquez Federico Miguel Vázquez Villasanti começou sua carreira na Credicentro, empresa fundada por seu pai em 1984. Conforme seu perfil no LinkedIn, ele entrou na companhia aos 18 anos e assumiu o cargo de CEO. Além disso, em 2022, a empresa passou a se chamar Ueno Holding e integrou o Grupo Vázquez, conglomerado com mais de 20 negócios em diferentes setores. Vázquez ocupa a presidência do grupo e também atuava como vice-presidente do Ueno Bank. Além disso, o empresário afirma ter especializações em Finanças, Gestão Empresarial, Transformação Digital e Inovação em Serviços Financeiros pelo INCAE. Também participou de programas na Universidade de Miami e em Harvard. Fora dos negócios, Vázquez demonstra interesse por automobilismo e esportes. Além disso, em uma biografia publicada no site do Ueno Bank, ele se descreve como apaixonado por velocidade e competição. Entre suas atividades favoritas estão pilotar carros de rali e disputar provas de triatlo. Casado e pai de três filhos, também compartilhava momentos com familiares e amigos nas redes sociais. Relações com Peña ampliaram o escândalo De acordo com o Estadão, a crise ganhou dimensão política após a divulgação de vínculos entre o Grupo Vázquez e integrantes do governo. Em abril de 2025, Santiago Peña admitiu que investiu na Ueno Holding em 2019. O presidente afirmou que o principal acionista decidiu dissolver a empresa durante um processo de fusão, em março de 2025, e que optou por não participar da operação. Outro nome envolvido é Carlos Carvallo, que presidia o Banco Central desde setembro de 2023. Antes, ele havia comandado o Ueno, deixando a instituição cerca de dois meses antes de assumir o cargo no BCP. Em meio ao escândalo, apresentou sua renúncia. Crise do banco chegou ao Congresso Deputados da oposição apresentaram um pedido de impeachment contra Peña e o vice-presidente Pedro Alliana. A acusação aponta possível mau desempenho das funções presidenciais, conflito de interesses e questionamentos sobre o crescimento do patrimônio do presidente. Leia também: ‘Master paraguaio’: Peña não irá ao Congresso e terá defesa feita por advogados em impeachment Peña anunciou em vídeo que renunciaria ao cargo. Pouco depois, a Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade a abertura do processo de impeachment. Pela legislação paraguaia, porém, o anúncio não encerra automaticamente o mandato. Peña permanece no cargo até que as duas Casas do Congresso aprovem formalmente sua saída. O Senado retomou o julgamento do impeachment sem a presença do presidente. Assim, a crise iniciada com a intervenção no Ueno Bank passou a ameaçar diretamente a continuidade do governo paraguaio. Visualizando todos Stories Por que a China quer restringir telas gigantes nos carros elétricos? Por Andre Amadei Van com inteligência artificial consegue detectar buracos antes que eles se agravem Por Nathalia Gimenes Quais artistas já falecidos continuam faturando alto? 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