Congresso do Paraguai aprova impeachment de Santiago Peña
Decisão unânime dos senadores veio 1 dia depois de a Câmara aprovar a destituição, mesmo após o pedido de renúncia do presidente; com o impeachment, Peña perde o foro privilegiado
O Senado do Paraguai aprovou em unanimidade, nesta 6ª feira (6.nov.2026), o impeachment contra o presidente Santiago Peña (Partido Colorado, direita). 44 dos 45 congressistas estavam presentes e votaram a favor. A sessão foi realizada 1 dia depois de o impeachment ser aprovado na Câmara de Deputados , mesmo depois de Peña apresentar um pedido de renúncia. Com o afastamento de Peña, deve assumir a Presidência do país o vice-presidente Pedro Alliana (Partido Colorado). Ele também era alvo de um processo de impeachment, que foi rejeitado na Câmara na 5ª feira (5.nov). A decisão foi tomada em sessão extraordinária, convocada por causa da crise bancária causada pela quebra do Ueno Bank, o maior banco digital do país. Peña assumiu o governo do Paraguai em 2023. Foi acionista do Grupo Vázquez, controlador do Ueno Bank , até março de 2025. O Ueno Bank tinha aproximadamente 3 milhões de clientes, ou seja, quase metade da população do Paraguai, que tem cerca de 7 milhões de habitantes. Com a crise, o presidente chegou a apresentar seu pedido de renúncia . Mas o Congresso não o aprovou. Congressistas optaram pelo impeachment para que o presidente perca o foro privilegiado vitalício. o 2º a ser destituído Santiago Peña se torna o 2º presidente eleito democraticamente no Paraguai a ser destituído pelo Congresso desde o fim da ditadura do general Alfredo Stroessner (1954–1989). Antes dele, o único precedente pós redemocratização do Paraguai era o do ex-presidente Fernando Lugo, que pertencia à Aliança Patriótica Para a Mudança, coligação que reunia partidos de centro-esquerda. Ele esteve a frente do Executivo paraguaio de 2008 a 2012. Ele foi foi destituído pelo Congresso por “mau desempenho” depois do confronto de Curuguaty, que deixou 17 mortos. ENTENDA A DECISÃO A sessão foi convocada por 35 legisladores da Câmara dos Deputados, que protocolaram o libelo acusatório pela Mesa de Entrada da Casa. O documento atribui ao presidente, em 1º lugar, um conflito de interesses por sua participação no Ueno Holding. O escrito também responsabiliza Peña pela nomeação de Carlos Carvallo, ex-presidente da Financeira Ueno, para a presidência do Banco Central do Paraguai. A escolha foi considerada incompatível com o dever de resguardar o interesse público. Houve também a alegação de que Peña teria impulsionado modificações na lei de conflitos de interesses. O documento afirma que o presidente permitiu que centenas de bilhões de guaranis do IPS (Instituto de Previdência Social) se concentrassem no Ueno Bank, em volumes acima dos limites fixados pela norma vigente. EX-MINISTRO AUSENTE O único senador que não votou durante a sessão foi Enrique Riera. Ele renunciou na 5ª feira (5.nov) do cargo de ministro do Interior do Paraguai. Horas antes de ter a própria renúncia confirmada, Riera foi responsável por levar pessoalmente ao Congresso a carta em que Peña comunicava a intenção de deixar a Presidência.