Peña cai em menos de 28 horas; Paraguai tem 2º impeachment relâmpago em 14 anos

Por Estadão · Categoria: Geral ·

O presidente do Paraguai , Santiago Peña , foi destituído nesta sexta-feira, 6, após um processo de impeachment que durou pouco menos de 28 horas. A decisão, aprovada por unanimidade pelo Senado , marca o segundo afastamento de um presidente paraguaio em um julgamento acelerado nos últimos 14 anos.

O presidente do Paraguai , Santiago Peña , foi destituído nesta sexta-feira, 6, após um processo de impeachment que durou pouco menos de 28 horas. A decisão, aprovada por unanimidade pelo Senado , marca o segundo afastamento de um presidente paraguaio em um julgamento acelerado nos últimos 14 anos. Em 2012, Fernando Lugo também perdeu o cargo após um processo que durou menos de 36 horas. A votação terminou com 44 votos favoráveis à saída de Peña, considerado responsável por mau desempenho de suas funções, uma das hipóteses previstas na Constituição paraguaia para a destituição de um presidente. Com a decisão, o vice-presidente Pedro Alliana assumiu o comando do país até 2028 . Peña foi detido em sua residência após decisão do Ministério Público . O processo contra Peña começou por volta das 15h de quinta-feira, 5, quando a Câmara aprovou a abertura do impeachment . A destituição foi confirmada pelo Senado por volta das 19h desta sexta-feira , em meio à crise política provocada pelo escândalo envolvendo o Ueno Bank. A instituição financeira sofreu intervenção do Banco Central do Paraguai após enfrentar problemas de solvência. O banco tinha vínculos com um grupo empresarial do qual Peña foi acionista até 2025. O colapso deixou milhões de clientes sem acesso ao dinheiro e desencadeou protestos no país. Da renúncia ao impeachment em menos de 28 horas A crise política se intensificou na quinta-feira, quando o Congresso aprovou a abertura de processos de impeachment contra Peña e seu vice, Pedro Alliana . O pedido contra Alliana, porém, foi rejeitado. Após a decisão da Câmara, Peña anunciou sua renúncia pelas redes sociais. O pedido não foi aceito pelos deputados, que decidiram dar continuidade ao processo de impeachment. O Senado chegou a convocar uma sessão para analisar a renúncia, mas a votação foi adiada por falta de quórum , após uma manobra de parlamentares aliados ao presidente. Peña voltou às redes sociais e afirmou que iria se defender das acusações. O Senado convocou uma sessão extraordinária para analisar o impeachment e retomou os trabalhos na manhã de sexta-feira. Antes da votação, o presidente solicitou um prazo de 72 horas para apresentar sua defesa, mas o pedido foi rejeitado . Horas depois, os senadores aprovaram sua destituição por unanimidade. O Congresso também determinou o envio da documentação do processo à Procuradoria-Geral do Estado para a adoção de medidas na esfera criminal. Fernando Lugo foi destituído em menos de 36 horas em 2012 A queda de Peña lembra o impeachment de Fernando Lugo, afastado da Presidência do Paraguai em junho de 2012 , após um processo que durou menos de 36 horas. Na época, a rapidez do julgamento provocou críticas de países vizinhos e questionamentos sobre o direito de defesa do então presidente. Lugo havia chegado ao poder em 2008, encerrando seis décadas de hegemonia do Partido Colorado. Sem maioria no Congresso, enfrentava dificuldades para governar e perdeu o apoio de parte da coalizão que o havia levado à Presidência. O estopim para o impeachment foi um confronto entre policiais e camponeses durante uma operação de reintegração de posse em Curuguaty, que deixou 17 mortos. No dia seguinte ao confronto, a Câmara dos Deputados aprovou a abertura do processo contra Lugo. O Senado conduziu o julgamento e, poucas horas depois, decidiu pela destituição do presidente. Com a saída de Lugo, o então vice-presidente Federico Franco assumiu o governo. O procedimento foi questionado por países da região e levou à suspensão temporária do Paraguai do Mercosul.