Juros: combinação de fatores compõe cenário em que dificilmente Copom evitará novas altas na Selic
Desde o resultado das eleições , o valor do real passou a mostrar forte volatilidade e desvalorização ante o dólar . A primeira reação foi uma valorização do dólar ante o real, de 8,12% no dia 26 de outubro, tendo atingido R$ 5,40. Após esta forte queda, o real passou a manter clara trajetória de re
Desde o resultado das eleições , o valor do real passou a mostrar forte volatilidade e desvalorização ante o dólar . A primeira reação foi uma valorização do dólar ante o real, de 8,12% no dia 26 de outubro, tendo atingido R$ 5,40. Após esta forte queda, o real passou a manter clara trajetória de redução, já tendo ultrapassado o nível próximo a R$ 5,50 no final da semana (10% em aproximadamente 15 dias). As declarações do presidente reeleito, Luiz Inácio Lula da Silva , e de alguns de seus auxiliares – assim como as promessas de aumento dos gastos públicos para ganhar a eleição – geraram aumento do risco fiscal e saída de recursos do País, pressionando o comportamento do real ante o dólar. A decisão da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de quarta-feira, 4 , deverá ser uma espécie de “divisor de águas” para a política monetária . Após um período de quedas da Selic , de 15,0% para 13,75% ao ano, e diante da espera de continuidade do processo de “calibração”, os desdobramentos pós-eleição já afetam negativamente as expectativas. No curto prazo, as projeções para 2026 avançaram de 5,2% para 5,6%. Já no horizonte relevante para a política monetária, correspondente ao segundo trimestre de 2028, as estimativas atingiram 3,5% ao ano, permanecendo acima da meta de inflação de 3,0%. Os dados da economia americana (payroll) divulgados na sexta-feira, 6, mostram um mercado de trabalho bastante aquecido. Segundo o relatório, os Estados Unidos geraram 165 mil postos de trabalho, número superior à estimativa, de 60 mil. Além disso, a queda da taxa de desemprego atingiu 4,1% e o salário por hora teve um aumento de 0,37%, superando as projeções de 0,30% no mês e 3,12% em termos anuais (este último contra a previsão de 2,9%). Os resultados deverão fazer com que o Federal Reserve (Fed) , o banco central americano, volte a aumentar a taxa básica de juros no país. Provavelmente, já na reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) de dezembro. A combinação de pressão inflacionária decorrente do comportamento dos preços dos ativos financeiros – em especial do real ante o dólar devido às incertezas em relação ao cenário fiscal no Brasil – e o aumento da probabilidade de que o Fed volte a aumentar a taxa de juros nos Estados Unidos, compõe um cenário em que dificilmente o Copom conseguirá evitar novos aumentos na taxa Selic nas próximas reuniões. Condição esta indispensável para que o Banco Central do Brasil consiga cumprir seu mandato de levar a inflação para a meta de 3,0% ao ano. Para o Copom, um “divisor de águas”.