Espionagem e canhão: Santiago Peña teve dois episódios problemáticos envolvendo o Brasil; relembre
Senado do Paraguai aprova por unanimidade impeachment de Santiago Peña O Senado do Paraguai aprovou nesta sexta-feira (6) o impeachment do presidente Santiago Peña. Ele foi destituído do cargo em meio a uma crise política provocada pelo fechamento do banco digital ueno. ✅ Siga o canal de notícias in
Senado do Paraguai aprova por unanimidade impeachment de Santiago Peña O Senado do Paraguai aprovou nesta sexta-feira (6) o impeachment do presidente Santiago Peña. Ele foi destituído do cargo em meio a uma crise política provocada pelo fechamento do banco digital ueno. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Durante os pouco mais de três anos em que esteve no poder, Peña também enfrentou episódios de tensão diplomática com o Brasil. Dois deles ganharam destaque: a revelação de uma operação de espionagem hacker contra autoridades paraguaias; as falas do presidente Lula sobre a Guerra do Paraguai, além de uma nova disputa pela devolução de um canhão levado pelo Brasil durante o conflito. Os dois episódios envolveram questões sensíveis para os países vizinhos: a negociação sobre a energia produzida pela usina de Itaipu e a memória de um dos conflitos mais traumáticos da história paraguaia. Relembre os episódios a seguir: Espionagem hacker Alexandre Marchetti/Itaipu Binacional Vista aérea da usina - Alexandre Marchetti/Itaipu Binacional - Divulgação Em março de 2025, Brasil e Paraguai entraram em um atrito diplomático após a revelação de que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) havia autorizado uma operação hacker contra sistemas do país vizinho. Um funcionário da Abin afirmou em depoimento à Polícia Federal que agentes brasileiros mantiveram operações de invasão a sistemas da Presidência da República e do Congresso do Paraguai. A ação também envolveu acessos a equipamentos de autoridades envolvidas nas negociações sobre as tarifas de Itaipu. As informações foram publicadas pelo portal UOL e confirmadas pela TV Globo. As ações tinham como objetivo obter informações sigilosas sobre as tratativas relacionadas ao Anexo C do Tratado de Itaipu, que estabelece as bases financeiras e as condições de comercialização da energia produzida pela usina. O depoimento apontou que a operação começou em junho de 2022, durante o governo Jair Bolsonaro (PL), e continuou após a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em janeiro de 2023. À época, em nota conjunta, a Presidência da República e o Ministério das Relações Exteriores confirmaram a existência da operação, mas afirmaram que ela foi encerrada em março de 2023, quando o governo Lula tomou conhecimento das ações. A revelação provocou uma reação do governo Peña. O Paraguai convocou o embaixador brasileiro em Assunção para pedir explicações e anunciou a suspensão das negociações sobre a revisão do Anexo C de Itaipu. Guerra do Paraguai Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião com o Presidente da República do Paraguai, Santiago Peña, no Palácio do Itamaraty. Ricardo Stuckert / PR Em julho de 2026, uma declaração de Lula sobre a Guerra do Paraguai provocou uma nova reação do governo de Peña. Durante um discurso em Jacareí (SP), o presidente brasileiro defendeu investimentos em defesa nacional e afirmou que o Brasil, apesar de gostar da paz, não poderia esquecer que o Paraguai havia invadido o território brasileiro no século 19. O conflito, também conhecido como Guerra da Tríplice Aliança, ocorreu entre 1864 e 1870 e colocou o Paraguai contra uma aliança formada por Brasil, Argentina e Uruguai. As consequências foram especialmente devastadoras para os paraguaios. Estimativas históricas apontam que o país perdeu entre 60% e 70% da população durante a guerra, embora não exista consenso sobre o número exato de mortos. A declaração provocou críticas no Paraguai. O chanceler Rubén Ramírez Lezcano disse que o governo paraguaio defenderia a dignidade e os interesses nacionais diante das falas do presidente brasileiro. A Câmara dos Deputados paraguaia também aprovou uma declaração de repúdio, afirmando que Lula havia minimizado a dimensão histórica do conflito. Dias depois, o governo paraguaio convocou o embaixador brasileiro em Assunção para entregar uma nota diplomática de protesto. O documento também retomou uma antiga reivindicação do país: a devolução de troféus de guerra levados pelo Brasil durante o conflito, entre eles o canhão El Cristiano, exposto no Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro. Segundo reportagem da colunista Bela Megale, publicada pelo jornal O Globo em agosto, Lula autorizou a devolução da peça. A transferência, no entanto, depende de trâmites e negociações diplomáticas entre os dois países. O canhão El Cristiano, artefato militar usado na Guerra do Paraguai que está instalado no Museu Histórico Nacional Cristina Boeckel/ g1 O El Cristiano é um obuseiro de aproximadamente 12 toneladas, com 2,94 metros de comprimento e 1,34 metro de largura. A peça foi produzida durante a Guerra do Paraguai com o bronze de sinos de igrejas paraguaias. O nome significa "O Cristão", em espanhol. O artefato foi utilizado pelas tropas paraguaias durante o conflito e acabou levado pelo Brasil após a derrota do país vizinho. Desde 1870, está em território brasileiro. Atualmente, pode ser visto gratuitamente no Museu Histórico Nacional, na região da Praça XV, no Centro do Rio de Janeiro. A reivindicação pela devolução não é recente. O governo paraguaio pede a restituição do canhão há mais de uma década, por considerar a peça parte importante da memória nacional e um símbolo da resistência do país durante a guerra. No Brasil, o El Cristiano é considerado patrimônio histórico e foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). VÍDEOS: mais assistidos do g1 Agora no g1