ONG da primeira-dama da Colômbia responde à Justiça sem detalhar uso dos US$ 17 mi doados ao grupo
A oposição ao governo do presidente de direita Abelardo de la Espriella rejeitou, nesta sexta-feira, 7, a resposta da fundação da primeira-dama da Colômbia sobre a gestão dos US$ 17 milhões doados à entidade para atender as vítimas do terremoto que atingiu o país em agosto. A instituição criada por
A oposição ao governo do presidente de direita Abelardo de la Espriella rejeitou, nesta sexta-feira, 7, a resposta da fundação da primeira-dama da Colômbia sobre a gestão dos US$ 17 milhões doados à entidade para atender as vítimas do terremoto que atingiu o país em agosto. A instituição criada por Ana Lucía Pineda exatamente um mês antes de Espriella tomar posse é responsável por parte das contribuições privadas destinadas a atender as pessoas afetadas e a reparar os danos causados pelo sismo de magnitude 7,4 que deixou mais de 330 mortos e destruiu cerca de 30 mil casas. Um dia antes, na quinta, 5, a Justiça da Colômbia ordenou que Pineda e a Fundação Luz y Sonrisas divulgassem, em até 48 horas, as contas detalhadas das doações, após um recurso judicial apresentado pelo senador Alejandro Ocampo, que é da oposição. Em resposta à determinação judicial, a fundação da primeira-dama declarou que não recebeu recursos públicos para atender às vítimas do terremoto na Colômbia, alegando que “não exerce funções públicas, não presta serviços públicos e não recebe nem administra recursos públicos”, diz um documento obtido pela AFP. A fundação não apresentou registros contábeis, comprovantes ou extratos bancários detalhados, alegando o sigilo legal que protege os livros e documentos privados da entidade. O texto diz ainda que a fundação recebeu US$ 17 milhões, além de ajuda humanitária dos Estados Unidos, da Espanha e do Panamá, e que cerca de 81% dos recursos financeiros (algo em torno de US$ 13,77 milhões) foram destinados à reconstrução de instituições de ensino em Cali. O valor é questionado pela oposição e por veículos de imprensa locais, que argumentam que as doações anunciadas por De la Espriella nas redes sociais somam mais de US$ 200 milhões. Ocampo criticou a resposta da fundação afirmando que comunicará à Justiça o “descumprimento da ordem judicial”. “Vamos enviar um documento ao juiz informando que, dos oito pontos que ele exigiu que fossem respondidos, apenas um foi respondido”, declarou em entrevista ao jornalista local Daniell Coronell. A oposição argumenta que, embora não se trate de recursos públicos, o fato de serem doações destinadas ao atendimento das vítimas de um terremoto obriga a fundação a prestar contas. / AFP