Mais mulheres investem no Brasil. Isso já significa mais autonomia financeira?

Por Estadão · Categoria: Geral ·

Participação feminina na renda variável cresce 83,4% em cinco anos. Especialistas da B3 e da Ágora discutem os desafios para transformar investimentos em autonomia financeira.

A presença de investidoras brasileiras na renda variável cresceu 83,4% em cinco anos, segundo a B3 . O avanço, porém, abre uma discussão que vai além do número de CPFs de mulheres: ter dinheiro aplicado significa participar das decisões sobre o próprio patrimônio? Essa é a questão que conduz o episódio do Da Conta Delas , do E-Investidor , com Christianne Bariquelli , superintendente de Negócios para Pessoa Física da B3, e Flávia Meireles , analista de research da Ágora Investimentos. Para Bariquelli, o crescimento acompanha um movimento das mulheres de assumir o controle de diferentes áreas da vida , incluindo a carreira e as finanças . A redução do valor necessário para começar a investir também ajuda a ampliar o acesso. Ela observa, porém, que conhecer os produtos é apenas parte do processo: a investidora precisa compreender seus objetivos e o quanto se sente confortável com os riscos das escolhas que faz. Meireles destaca que conquistar independência financeira e ter autonomia são passos diferentes . Além de gerar renda ou acumular patrimônio, é preciso participar das decisões e ter confiança para questionar as alternativas apresentadas. Nesse caminho, a educação financeira deve ajudar a organizar prioridades, estabelecer metas e entender prazos e riscos. “Não é virar especialista”, afirma. O conhecimento permite conversar com um assessor e avaliar se determinado investimento faz sentido para a própria realidade. As convidadas também ressaltam que a falta de tempo, a sobrecarga de tarefas e o endividamento dificultam essa jornada . Por isso, o incentivo para investir precisa considerar as condições de cada mulher, seja ela mãe, empreendedora, chefe de família ou aposentada. A linguagem técnica pode criar outra barreira, enquanto a presença de mulheres produzindo conteúdo e ocupando posições no mercado financeiro ajuda a gerar identificação e tornar o ambiente mais acolhedor para perguntas. A conversa aborda ainda o planejamento para a aposentadoria e o cuidado para que as despesas com os filhos não comprometam a segurança financeira dos pais no futuro. Para quem pode começar a investir, a orientação das convidadas é avançar aos poucos, com valores e riscos compatíveis com a própria realidade, e construir o hábito ao longo do tempo. “É começando que você vai aprender no processo”, dizem as especialistas. A autonomia, nessa perspectiva, se fortalece com informação, experiência e participação nas decisões.