Fim das bets: clubes priorizam transição nos contratos para preservar receitas em 2027
Os dirigentes dos clubes de futebol que participaram da audiência no Supremo Tribunal Federal (STF) que discutiu a proibição das bets, na terça-feira passada, deixaram o encontro desanimados com a possibilidade de uma reversão da decisão do governo federal, feita por meio de uma medida provisória. O
Os dirigentes dos clubes de futebol que participaram da audiência no Supremo Tribunal Federal (STF) que discutiu a proibição das bets, na terça-feira passada, deixaram o encontro desanimados com a possibilidade de uma reversão da decisão do governo federal, feita por meio de uma medida provisória. O foco agora é negociar uma transição para que possam tentar manter receitas já previstas nos orçamentos de 2027 com os patrocínios fechados com essas empresas. Uma proposta apresentada na audiência partiu do Laboratório de Regulação Econômica da UERJ, que sugeriu uma transição de 180 a 360 dias caso a proibição seja mantida. O período serviria para permitir a adaptação dos contratos, dos trabalhadores e dos mecanismos de fiscalização, além da implementação das novas regras. A ideia criaria uma alternativa entre a manutenção do mercado regulado e seu encerramento imediato: a atividade seria descontinuada, mas com tempo para que empresas, clubes e demais envolvidos reorganizassem suas relações comerciais e financeiras. É nisso que os clubes devem trabalhar a partir de agora. Durante a audiência, os representantes das associações participantes afirmaram ter tomado decisões econômicas com base nas regras estabelecidas pelo governo. O Botafogo, por exemplo, relatou que os recursos de seu contrato de patrocínio com uma empresa de apostas foram considerados no planejamento financeiro de sua SAF e em seu processo de recuperação judicial. A estratégia que deve ser adotada a partir de agora, com foco na transição, também vai usar o mercado ilegal na argumentação, segundo relatos feitos à coluna. Clubes e entidades esportivas sustentam que uma retirada abrupta das empresas autorizadas pode acelerar a migração dos apostadores para plataformas clandestinas, dificultando a fiscalização e o combate à manipulação de resultados. O governo federal se posicionou contra uma transição que prolongue a operação das bets, argumentando que a proteção da saúde pública, das famílias e dos consumidores deve prevalecer sobre os interesses econômicos e os contratos firmados pelo setor. Na audiência, o advogado-geral da União, Jorge Messias, afirmou que manter as empresas em funcionamento por um período prolongado apenas para preservar contratos significaria estender os efeitos de uma atividade que o governo considera socialmente prejudicial. Mesmo num modelo transitório, a avaliação de agentes do mercado é que, das 188 bets autorizadas a operar no Brasil, apenas 10% mantenham o serviço, o que já impactaria os valores e a continuidade dos contratos existentes.