Bolsa em queda, Selic sob pressão e dividendos: o que movimentou os investidores na semana
A primeira semana de novembro foi marcada pelas repercussões das eleições no mercado financeiro e pelas dúvidas sobre os rumos da economia brasileira. No E-Investidor, as notícias que ajudaram a interpretar esse cenário e seus impactos sobre os investimentos estiveram entre as mais lidas dos últimos
A primeira semana de novembro foi marcada pelas repercussões das eleições no mercado financeiro e pelas dúvidas sobre os rumos da economia brasileira. No E-Investidor, as notícias que ajudaram a interpretar esse cenário e seus impactos sobre os investimentos estiveram entre as mais lidas dos últimos sete dias. Um dos destaques ficou com as carteiras recomendadas de dividendos para novembro . As recomendações refletem a cautela do mercado diante da volatilidade da Bolsa e das incertezas fiscais. Em outubro, o Ibovespa acumulou queda de 9,88% , enquanto o dólar avançou 5,22% , ampliando a atenção sobre estratégias defensivas em um ambiente de juros elevados. Nesse contexto, Ágora Investimentos , BB Investimentos , Planner, AndBank e Genial Investimentos revisaram ou mantiveram suas seleções de ações pagadoras de dividendos . Entre os principais critérios estão a geração consistente de caixa, o baixo endividamento, a previsibilidade dos resultados e o histórico de remuneração aos acionistas. Além das carteiras, a trajetória da Seli c também concentrou a atenção do mercado . A piora das expectativas de inflação e a elevação dos juros futuros levaram instituições financeiras a rever suas projeções para a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), em meio às preocupações com a condução da política econômica. XP e Santander abandonaram suas expectativas de novos cortes imediatos, enquanto BTG Pactual e Itaú reforçaram a perspectiva de juros elevados por mais tempo. O UBS BB , por outro lado, manteve a previsão de redução da Selic, embora reconhecesse o risco de uma pausa. A decisão do Banco Central passou a ser vista como um teste de credibilidade, diante das possíveis repercussões sobre o câmbio, os juros futuros e os ativos brasileiros. Confira abaixo as notícias mais lidas da semana no E-Investidor e os principais movimentos que entraram no radar dos investidores. O impacto da eleição sobre os mercados Reeleição de Lula: Ibovespa derrete quase 14% e dólar tem maior oscilação desde janeiro de 1999 A forte reação do mercado à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) continuou chamando a atenção dos leitores do E-Investidor. A matéria, que já havia aparecido no ranking das mais lidas da semana passada, permaneceu entre os destaques, após o Ibovespa despencar 13,88% em 26 de outubro , em um pregão marcado pelo acionamento do circuit breaker - mecanismo de segurança que paralisa as negociações por um período de tempo na ocorrência de movimentos bruscos de mercado - pela primeira vez desde 2020. O dólar também disparou 8,21%, encerrando o dia a R$ 5,40. O movimento refletiu as preocupações dos investidores com a política fiscal e o futuro das contas públicas. Especialistas apontaram que a recuperação da confiança do mercado dependeria das primeiras sinalizações do governo reeleito, especialmente sobre a equipe econômica, o controle da dívida pública e a condução da política monetária. Ibovespa tomba mais 2,6% com incerteza fiscal e temor sobre IOF; Fed mantém juros inalterados A reação do mercado à reeleição continuou despertando o interesse dos leitores. A matéria, que também já havia ranqueado entre as mais lidas da semana anterior, voltou, após o Ibov registrar mais uma queda expressiva, de 2,68%, aos 171 mil pontos, em meio às incertezas sobre a condução das contas públicas e à possibilidade de cobrança de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre investimentos de renda fixa até então isentos. No exterior, a decisão do banco central norte-americano, o Federal Reserve (Fed) , de manter os juros americanos entre 3,75% e 4% ao ano também movimentou as expectativas dos investidores. A perspectiva de juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos, somada à alta do petróleo e às tensões no Oriente Médio, ampliou as preocupações com o desempenho dos mercados emergentes. Da euforia ao tombo histórico: o que pode acontecer com Bolsa e dólar em novembro A Bolsa em outubro registrou sua maior queda mensal desde junho de 2022, quando o índice recuou 9,88%. Na última semana do mês anterior, as perdas chegaram a 18,12%, enquanto o dólar acumulou valorização de 5,20% em outubro. Apesar do tombo, analistas da AW Capital, Grupo Mide e Formadores de Mercado avaliaram que havia espaço para uma recuperação da Bolsa em novembro, mas condicionaram uma melhora sustentada a sinais concretos do governo sobre a política fiscal. Enquanto isso, especialistas recomendaram cautela com empresas endividadas e maior atenção a setores defensivos, como bancos, seguradoras e serviços básicos. Estratégias, dividendos e perspectivas para o investidor Após tombo da Bolsa, bancos e corretoras recalculam apostas em ações de dividendos para novembro A queda do Ibovespa em outubro, a valorização do dólar, as incertezas fiscais e a persistência dos juros elevados fizeram com que bancos e corretoras ajustassem suas carteiras de dividendos, priorizando empresas financeiramente sólidas, setores mais resilientes e negócios com capacidade de manter pagamentos aos acionistas. A Ágora Investimentos reforçou o perfil defensivo ao incluir a Telefônica Brasil (VIVT3) , enquanto o BB Investimentos manteve suas dez ações, incluindo Petrobras (PETR4) , com foco na regularidade dos dividendos. A Planner renovou quatro posições para priorizar empresas com pagamentos previstos para novembro, como Bradespar (BRAP4) e Caixa Seguridade (CXSE3) . O AndBank concentrou suas escolhas em energia, bancos e mineração, com destaque para Vale (VALE3) e Telefônica Brasil. Já a Genial Investimentos privilegiou companhias com baixo endividamento e menor dependência da economia doméstica, incluindo BB Seguridade (BBSE3), Caixa Seguridade e BradSaúde (SAUD3). Cenário econômico e perspectivas para investidores Selic: mercado muda projeções e vê decisão do Copom como teste de credibilidade do BC A deterioração das expectativas de inflação após a reeleição de Lula, combinada com o dólar elevado, as incertezas fiscais e a alta do petróleo, levou o mercado financeiro a rever suas projeções para os juros. O aumento da percepção de risco sobre as contas públicas também pressionou as taxas futuras, enquanto o ambiente internacional mais adverso reduziu o espaço para novos cortes da Selic . Nesse contexto, a decisão do Copom passou a ser vista como um teste de credibilidade para o Banco Central, diante da necessidade de controlar a inflação sem agravar a desaceleração econômica. A XP elevou sua projeção para a Selic no fim de 2026, de 13,25% para 13,75%, enquanto o Santander abandonou a expectativa de corte imediato e passou a prever manutenção dos juros. O BTG Pactual manteve a previsão de pausa em novembro, mas elevou sua estimativa para o fim de 2027, de 12,50% para 13,75%. O Itaú também espera estabilidade e destaca a piora do cenário externo, incluindo a possibilidade de novas altas dos juros americanos. Já o UBS BB diverge das demais instituições ao projetar um corte para 13,50%, embora admita risco significativo de manutenção da taxa. A reação dos investidores e impacto nos fundos Fundos perdem R$ 110 bilhões após eleição; veja quais fundos de ações mais caíram A reação do mercado à reeleição também atingiu duramente a indústria de fundos , que perdeu R$ 110 bilhões em 26 de outubro, primeiro pregão após as eleições. Na ocasião, 90% dos fundos de ações analisados fecharam em queda, com perdas que chegaram a 44,5% . Os fundos de empresas menores (small caps) estiveram entre os mais afetados, pressionados pela alta dos juros futuros e pelas incertezas fiscais. Entre os destaques negativos estiveram Alaska Black, Reach Total Return, Az Quest Small Mid Caps e fundos de ações do BB e Itaú. Gestoras como Bram, BB Asset, 4UM Investimentos e Clube do Valor atribuíram as perdas à forte desvalorização de empresas mais sensíveis aos juros e à composição das carteiras. Apesar do impacto, algumas casas avaliaram que a queda abriu oportunidades para comprar ações de empresas sólidas a preços mais baixos, mantendo o foco no longo prazo. Seu fundo imobiliário despencou após a eleição? Veja o que especialistas recomendam Em 26 de outubro, o Índice de Fundos de Investimentos Imobiliários (IFIX) despencou 5,68%, na maior queda diária desde março de 2020, com perdas que chegaram a 17,04% entre os fundos do índice. A alta dos juros futuros e as incertezas fiscais pressionaram as cotas, apagando os ganhos acumulados pelo setor ao longo do mês. Apesar do tombo, especialistas da XP, Suno Research, GT Capital e AW Capital destacaram que a desvalorização não significou, necessariamente, uma piora dos fundamentos dos fundos. Estudos da XP e da Suno reforçaram a importância de manter aportes regulares e uma estratégia de longo prazo, evitando decisões precipitadas em momentos de volatilidade. Para os analistas, quedas expressivas também poderiam abrir oportunidades de compra, desde que respeitados os limites de risco e a diversificação da carteira. Como Itaú, ASA e Krivo tentam evitar que o pânico do mercado vire prejuízo para clientes Especialistas recomendaram cautela e evitar decisões precipitadas, destacando a importância de preservar o patrimônio em momentos de volatilidade. O Itaú Unibanco manteve suas estratégias de investimento e reforçou a importância da diversificação internacional. O ASA preservou sua exposição a títulos públicos atrelados à inflação (NTN-Bs), priorizando a proteção patrimonial de longo prazo. Já a Krivo Capital adotou uma postura mais defensiva antes das eleições, mantendo 70% do patrimônio do fundo em caixa para reduzir os impactos de uma eventual queda da Bolsa. Gestão de patrimônio e investimentos de longo prazo Quais são as melhores gestoras de fundos de 2026? Veja o ranking da FGV A indústria brasileira de fundos de investimento enfrentou um cenário difícil em 2026, marcado por volatilidade, retornos baixos, resgates bilionários e fechamento de gestoras. Segundo a 27ª edição do Guia FGV de Fundos de Investimentos, divulgada com exclusividade pelo E-Investidor, cerca de 60% dos fundos analisados não superaram o Certificado de Depósito Interbancário (CDI) nos últimos três anos. Apesar da crise, algumas gestoras conseguiram se destacar ao combinar estratégias de gestão ativa, controle de riscos e capacidade de aproveitar oportunidades de mercado. Entre as vencedoras, a Bradesco Asset foi eleita a melhor grande gestora pelo terceiro ano consecutivo, beneficiada pelo desempenho no crédito privado e por uma postura conservadora. A Itaú Asset se destacou com suas estratégias de ações e multimercados, enquanto a SPX liderou a categoria de gestoras especialistas e a MAG Investimentos venceu entre as casas de nicho. O levantamento reforçou a importância da disciplina na gestão e da busca por retornos consistentes sem exposição excessiva ao risco. Bilhões em jogo: por que as famílias ultrarricas têm medo de deixar suas fortunas para os filhos? A preparação dos herdeiros tornou-se uma das principais preocupações das famílias ultrarricas, que buscam preservar suas fortunas sem comprometer a motivação e a independência financeira dos filhos. Segundo estudo do Bank of America (BofA), 61% dos entrevistados com mais de US$ 25 milhões em ativos para investimento demonstraram preocupação com a motivação dos sucessores, enquanto apenas 36% consideraram os filhos muito preparados para receber a herança. Algumas famílias, inclusive, optaram por não revelar o valor total do patrimônio. Pesquisas do BofA e da Fidelity Investments apontaram que a falta de diálogo sobre herança e planejamento sucessório ainda é um desafio. Especialistas defenderam a participação dos filhos nas decisões patrimoniais, com apoio de consultores financeiros e educação para administrar a riqueza. Apesar de 78% dos empresários ricos considerarem a sucessão importante, apenas 20% possuíam um plano totalmente documentado, evidenciando a distância entre a preocupação com o legado e a preparação efetiva dos herdeiros.