Peña é aguardado no MP hoje para decisão sobre manutenção de prisão

Por CNN Brasil · Categoria: Nacional ·

Presidente destituído estava em prisão domiciliar, mas precisou ser transferido para unidade militar durante a noite após confrontos entre manifestantes e a polícia em frente à residência

O presidente destituído do Paraguai, Santiago Peña, deve comparecer ao Ministério Público do país pela primeira vez neste sábado (7), após ser detido por agentes da polícia paraguaia na noite de sexta (6). Durante a noite, ele precisou ser transferido da prisão domiciliar para uma unidade especial das Forças Armadas do Paraguai, segundo informações dos jornais La Nacion e ABC Color. De acordo com a imprensa local, manifestantes se reuniram em frente à residência de Peña e entraram em confronto com a polícia. Imagens mostram pessoas atirando ovos e gritando insultos contra o veículo que levou o presidente destituído para a unidade militar. Leia Mais Santiago Peña é preso pela polícia do Paraguai após impeachment, diz jornal Ministério Público do Paraguai abre investigação contra presidente Peña Partido governista do Paraguai declara apoio ao impeachment do presidente O presidente destituído foi transportado para o Regimento de Escolta Presidencial, uma unidade militar das Forças Armadas , encarregada da segurança e proteção do presidente, sua família, ex-presidentes e líderes estrangeiros em visitas oficiais ao país. O Ministério Público ordenou a prisão de Peña e do ex-presidente do Banco Central do país, Carlos Dagoberto Carvallo Spalding, pelo escândalo envolvendo o Ueno Bank . Peña foi intimado a comparecer à promotoria na manhã deste sábado. A ordem de prisão foi assinada por promotores da Unidade Especializada em Crimes Econômicos e Anticorrupção e da Unidade Especializada em Crimes Informáticos. “As pessoas detidas deverão ser colocadas à disposição da autoridade competente dentro do prazo legal, com observância de seus direitos e garantias”, destacaram. Promotores que falaram do lado de fora da casa de Peña em Assunção disseram que as acusações ainda estavam sendo definidas, mas poderiam incluir tráfico de influência. A ordem do Ministério Público foi anunciada pouco tempo após o Senado aprovar o impeachment de Peña e destituir o presidente. O placar para a destituição de foi de 44 votos a favor e uma abstenção. Na quinta-feira (5), a Câmara dos Deputados já havia aprovado o impeachment do chefe de Estado. Entenda a crise no Paraguai O banco Ueno, de propriedade do Grupo Vázquez, fechou suas portas na terça-feira (3) depois que o Banco Central do Paraguai iniciou um processo de liquidação da instituição ao constatar um déficit em seus índices de solvência relacionado a empréstimos concedidos a empresas vinculadas. Peña, um economista que assumiu o governo em 2023 , foi acionista até março do ano passado do grupo proprietário do banco, que contava com cerca de 3 milhões de clientes e concentrava cerca de US$ 850 milhões (equivalente a cerca de R$ 4,6 bilhões) em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social. A oposição acusou Peña de conflito de interesses , manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e encobrimento institucional por parte do Banco Central, entre outros pontos. “Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente… o senhor é a origem desse monstro que criou”, disse a deputada da oposição Rocío Vallejo durante sessão, pouco antes de apresentar a acusação contra o presidente. Peña afirmou em uma publicação na rede social X que os responsáveis pelas irregularidades responderão perante a Justiça, sem exceções, pouco antes de promulgar uma lei que permitirá aos poupadores do Ueno recuperar seu dinheiro em menos tempo. “Peço veementemente a todos os setores políticos que coloquem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse”, afirmou ele. Entenda crise em banco que levou Paraguai a votar impeachment de Peña