Por que o Brasil está atraindo investimentos bilionários em data centers?
Brasil atrai Amazon, Google e Microsoft com energia renovável, incentivos fiscais e mercado em expansão para inteligência artificial O post Por que o Brasil está atraindo investimentos bilionários em data centers? apareceu primeiro em Times Brasil | CNBC.
O Brasil vem ganhando espaço na disputa global por infraestrutura de inteligência artificial (IA). Enquanto comunidades nos Estados Unidos pressionam contra a construção de novos data centers, o país oferece incentivos fiscais, energia elétrica mais barata e um mercado consumidor em expansão para atrair gigantes como Amazon, Google e Microsoft. Uma reportagem publicada pela Revista Fortune, destaca que essa combinação favorece a expansão do setor no país. Além disso, a Lei REDATA, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em setembro, reduziu impostos sobre equipamentos de data centers e estabeleceu contrapartidas para estimular a pesquisa e o desenvolvimento no Brasil. Leia também: Imposto Seletivo deve começar em fevereiro de 2027; governo prevê manter IPI na transição Amazon, Google e Microsoft ampliam investimentos no Brasil O tamanho do mercado brasileiro já aparece nos planos das grandes empresas de tecnologia. A Amazon Web Services (AWS) investiu mais de US$ 3,8 bilhões (cerca de R$ 20,7 bilhões) em infraestrutura de data centers na região desde 2011. A companhia também prometeu investir outros US$ 1,8 bilhão (R$ 9,8 bilhões) até 2034. O Google pretende dobrar sua infraestrutura de computação em nuvem no Brasil até 2030, em resposta ao aumento da demanda. Já a Microsoft comprometeu US$ 2,7 bilhões (R$ 14,7 bilhões) para ampliar sua infraestrutura de nuvem e inteligência artificial ao longo de três anos. Embora a demanda local ainda impulsione grande parte da expansão na América Latina, Carlos Barrera, CEO da Atlas Renewable Energy, avalia que a região também pode receber investimentos que encontram dificuldades para avançar nos Estados Unidos. Energia renovável aumenta a competitividade brasileira Outro atrativo é o custo da eletricidade. A energia no Brasil custa menos da metade do preço praticado nos Estados Unidos. De acordo com dados do Ministério de Minas e Energia, quase 87% da eletricidade brasileira vem de fontes renováveis. A expansão das usinas eólicas e solares também contribuiu para gerar excedentes de energia. Esse cenário favorece os data centers, que precisam de fornecimento constante de eletricidade para manter servidores e equipamentos de processamento em funcionamento. Entretanto, a vantagem pode enfrentar obstáculos. O Brasil precisará ampliar as linhas de transmissão para conectar os grandes empreendimentos à rede elétrica . Além disso, autoridades discutem os possíveis efeitos desses projetos nas contas de luz dos consumidores. REDATA reduz impostos e busca ampliar soberania digital do Brasil A carga tributária brasileira também representava um desafio para o setor, já que os impostos federais sobre equipamentos importados elevavam os custos de construção. Para enfrentar o problema, Lula sancionou , em 15 de setembro, a Lei REDATA, que reduz impostos sobre equipamentos destinados a data centers que cumpram os requisitos legais. Em contrapartida, as empresas precisam oferecer pelo menos 10% dos serviços de computação qualificados a clientes brasileiros e investir 2% do valor dos equipamentos beneficiados em pesquisa e desenvolvimento no país. A iniciativa busca fortalecer a soberania digital. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, 60% dos dados digitais brasileiros ainda são processados no exterior. Com mais capacidade computacional instalada localmente, o governo espera estimular empresas nacionais a desenvolver soluções de IA e reduzir a dependência de serviços estrangeiros. Projetos também enfrentam questionamentos ambientais Apesar das oportunidades, a expansão dos data centers também enfrenta resistência. Poucos dias antes da entrada em vigor da REDATA, procuradores federais acionaram a Justiça contra um projeto ligado ao TikTok. Leia também: Ibovespa abre em queda e recua aos 165 mil pontos, com dólar a R$ 5,50 e juros em alta A ação exigiu um estudo de impacto ambiental e consulta ao povo indígena Anacé antes do início das operações. O episódio mostra que a atração de investimentos precisa considerar os efeitos dos empreendimentos sobre o meio ambiente e as comunidades próximas. Assim, o Brasil reúne condições para ampliar sua participação no mercado global de inteligência artificial. Entretanto, o avanço dependerá também da expansão da rede elétrica, do equilíbrio dos custos para os consumidores e do cumprimento das contrapartidas econômicas e ambientais. Visualizando todos Stories Por que a China quer restringir telas gigantes nos carros elétricos? Por Andre Amadei Van com inteligência artificial consegue detectar buracos antes que eles se agravem Por Nathalia Gimenes Quais artistas já falecidos continuam faturando alto? 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