Raízen aprova aumento de capital de até R$ 39,8 bilhões para reestruturação
Operação prevê aporte de até R$ 3,5 bilhões da Shell e conversão de dívidas em ações; companhia também aprovou emissão de debêntures e criação de programa de Units
A Raízen aprovou um aumento de capital que pode chegar a R$ 39,8 bilhões como parte da implementação de seu plano de recuperação extrajudicial. A decisão foi tomada pelo Conselho de Administração em reunião realizada na sexta-feira (6) e prevê a emissão de novas ações para subscrição privada, com participação da Shell e possibilidade de conversão de créditos de credores em participação acionária. O aumento de capital terá valor mínimo de R$ 3,5 bilhões e máximo de R$ 39,8 bilhões. Serão emitidas, no mínimo, 14 bilhões e, no máximo, aproximadamente 159,2 bilhões de novas ações ordinárias e preferenciais, além de Units. O preço de emissão foi fixado em R$ 0,25 por ação e R$ 0,50 por Unit. A Shell Brazil Holding, ou uma de suas afiliadas, incluindo a Shell Brasil Petróleo, poderá aportar até R$ 3,5 bilhões em dinheiro. A Aguassanta Participações também poderá participar da operação, com contribuição de até R$ 500 milhões. Leia Mais Raízen prevê aumento de capital de até R$ 39,8 bilhões Raízen tem plano de recuperação extrajudicial homologado pela Justiça de SP Raízen propõe aumento de capital de ao menos R$ 3,5 bilhões Outra parte da capitalização será realizada por meio da conversão de créditos sujeitos ao plano de recuperação extrajudicial em Units. Os demais acionistas também poderão participar mediante o exercício do direito de preferência. Os recursos captados serão destinados ao capital de giro e à redução do endividamento financeiro da companhia e de suas controladas. A distribuição dependerá da adesão ou não da Aguassanta à operação. Caso a Aguassanta participe, até R$ 5 bilhões serão destinados ao capital de giro. O valor excedente será dividido entre amortização de dívidas, que receberá 70%, e capital de giro, com os outros 30%. Se a Aguassanta não aderir, o limite destinado ao capital de giro será de R$ 4,5 bilhões. Os recursos que ultrapassarem esse montante também serão distribuídos na proporção de 70% para pagamento ou amortização de dívidas e 30% para capital de giro. Os acionistas terão direito de preferência para participar das emissões, proporcionalmente à participação no capital social. O prazo para exercício será de 9 de novembro a 8 de dezembro de 2026. A operação poderá ser homologada parcialmente, desde que sejam subscritas pelo menos 14 bilhões de ações e que a Shell passe a deter, isoladamente, a maioria das ações preferenciais classe B emitidas no aumento de capital. O aumento de capital é uma das condições para a eficácia do plano de recuperação extrajudicial da Raízen , apresentado em 5 de junho de 2026 e homologado pela Justiça paulista. Na mesma reunião, o Conselho de Administração aprovou a criação de um programa de Units. Cada certificado representará uma ação ordinária e uma ação preferencial classe A da companhia. A instituição depositária será o BTG Pactual Serviços Financeiros. A empresa também prevê períodos para que os atuais acionistas solicitem a conversão de ações ordinárias em preferenciais classe A, ou o movimento inverso, com o objetivo de permitir a formação das Units. A Raízen também aprovou a criação de um programa de ADs (American Depositary Shares) de nível I, que permitirá a representação das Units no mercado norte-americano. O programa prevê o envio de documentação à SEC (Securities and Exchange Commission), reguladora do mercado de capitais dos Estados Unidos, e terá o Citibank como banco depositário. Tanto o programa de Units quanto o de ADSs estão condicionados à homologação do aumento de capital. O Conselho de Administração aprovou ainda a quinta emissão de debêntures simples, não conversíveis em ações, com garantia real e garantia adicional fidejussória. A emissão será dividida em duas séries e destinada a determinados credores sujeitos ao plano de recuperação extrajudicial, por meio de distribuição pública sob rito de registro automático. A companhia informou que manterá os acionistas e o mercado atualizados sobre os próximos desdobramentos das medidas aprovadas. Expansão agressiva contribuiu para alto endividamento da Raízen