Que fim levou a Compaq, uma das primeiras sensações do mercado de PCs?
O mercado de computadores na década de 1980 ainda estava no início da popularização, mas marcas como Apple e IBM já reinavam como referências. Porém, assim como acontece atualmente em outras indústrias, nomes de menor porte faziam barulho com projetos criativos. Um desses casos foi a Compaq , pionei
O mercado de computadores na década de 1980 ainda estava no início da popularização, mas marcas como Apple e IBM já reinavam como referências. Porém, assim como acontece atualmente em outras indústrias, nomes de menor porte faziam barulho com projetos criativos. Um desses casos foi a Compaq , pioneira de computadores portáteis e que consagrou nomes como a linha Presario, presente inclusive no imagino do público brasileiro. Porém, depois de passar anos como um dos nomes mais lembrados na indústria, a marca passou por várias mudanças e hoje se encontra em uma situação bem diferente . A seguir, saiba o que aconteceu com ela e por que ela foi tão relevante. A empresa que desafiou uma gigante A trajetória da Compaq nasce do sonho empreendedor de três veteranos na indústria: Rod Canion, Jim Harris e Bill Murto , ex-funcionários da Texas Instruments. A companhoa foi fundada em fevereiro de 1982 em Houston, no Texas. Com o nome inspirado no lema “Compatibilidade e Qualidade”, a empresa sonhava em disputar mercado com a IBM. Na época, ela era a referência do setor de computação doméstica e corporativa, com o IBM PC recém-lançado e muito bem sucedido. Ela conseguiu esse feito já com o primeiro produto, o Compaq Portable . Ele era um computador menor e mais fácil de ser transportado do que o rival, mas era “compatível” com o PC da IBM — forma técnica de dizer que o aparelho era um clone feito via engenharia reversa. Ele foi anunciado em novembro de 1982 e vendido em março do ano seguinte, inaugurando um mercado de PCs que estavam ficando cada vez menores. Ainda na década de 1980, a empresa precisava continuar a boa fase e lançou outros modelos sem tanto alarde, mas ainda com qualidade. Alguns destaques desse período incluem: o Deskpro , um desktop de visual mais tradicional para uso em empresas; o Deskpro 386 , primeiro computador no mercado a usar o novo processador Intel 386; o Portable III , com uma ousada tela de plasma; a linha de notebooks portáteis para a época Compaq LTE . Ela ainda liderou o consórcio criador do padrão de barramento de computador de 32 bits Extended Industry Standard Architecture (EISA) , fechando a década atrás só de IBM e Apple em vendas de computadores. Expansão e crise Com o tempo, entretanto, a Compaq passou a apresentar altos e baixos no setor administrativo , com muitas trocas de comando e estratégia. Entre as boas notícias, ela lançou em 1993 a família Presario de computadores domésticos , finalmente chegando ao mercado consumidor massivo. O nome virou a família de aparelhos mais duradoura da Compaq, inclusive no Brasil. Outro produto de destaque foi o ProLiant , servidores baseados em arquitetura x86. Ela também foi às compras e adquiriu em 1997 a Tandem Computers , famosa no mercado empresarial e, no ano seguinte, a Digital Equipment Corporation (DEC) , maior fusão do mercado de tecnologia até então. A última compra resultou ainda na família iPAQ de assistentes pessoais digitais (PDAs) , que teve algum destaque no segmento dominado pela Palm. Porém, no campo de PCs, a ultrapassagem da Dell em vendas marcou um ponto de virada que indicou o fim da era de ouro da marca. View this post on Instagram No Brasil, a companhia atingiu o ponto alto da fama no final dos anos 90 e início dos anos 2000, mantendo uma fábrica por anos em Jaguariúna, São Paulo. Por onde anda a Compaq no Brasil e no mundo? A Compaq realmente mudou o mercado, mas não conseguiu acompanhar rivais que faziam PCs cada vez melhores e mais baratos. Como consequência dessa dificuldade de adaptação, a situação atual dela no mercado é bem diferente do início explosivo. Em 2002, a Compaq foi adquirida pela Hewlett Packard (HP) , com a marca passando a perder força dentro do conglomerado e sendo restrita primeiro a modelos corporativos e depois só para aparelhos de baixo custo e entrada. Cada vez menos valorizada, a produção de aparelhos Compaq foi descontinuada em vários países, incluindo nos Estados Unidos, em 2013 . A partir deste ponto, a HP deixa de usar o nome, que passa a ser licenciado para outras marcas interessadas em vender produtos com uma marca histórica. A própria HP passou por mudanças por anos depois, resultando em duas divisões bem diferentes : a HP Inc. para os negócios de PCs e impressoras, incluindo a Compaq, e a Hewlett Packard Enterprise (HPE), responsável por servidores, redes, armazenamento e serviços. Os licenciamentos da Compaq pela HP Inc. foram fechados regionalmente, com empresas diferentes adquirindo os direitos de uso da marca em países como México, Índia e Brasil . Em outros mercados, a companhia tem presença pouco relevante ou inexistente. No segmento nacional, ela teve representação em 2014 da GlobalK , que lança vários computadores com o nome Presario. Já em 2021, o licenciamento muda para a Positivo Tecnologia, interessada no portfólio de notebooks, desktops e tudo-em-um da companhia. Apesar de lançar aparelhos como o Compaq 5000 Snapdragon e o Presario 450, a Positivo encerrou o licenciamento da marca Compaq no fim de 2024 . O motivo alegado pela empresa foi uma mudança estratégica para “ potencializar negócios em outras marcas já existentes”, possivelmente VAIO e Infinix. Há dois anos, portanto, essa antiga gigante dos computadores já não tem mais presença também no mercado brasileiro. Que fim levou a Dynacom, marca brasileira do console Dynavision? Saiba neste artigo ! /Com informações de EBSCO e Silicon Angle .