Peña chega ao Ministério Público do Paraguai para audiência com promotoria
Ex-presidente foi detido pelas autoridades na sexta-feira (6) após sofrer impeachment no Congresso Nacional do país por acusações de envolvimento no caso do Ueno Bank
O ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña, chegou à unidade do Ministério Público do Paraguai em Assunção neste sábado (7) para fazer sua primeira aparição desde que foi detido na sexta-feira (6). Peña é acusado de ter participação no escândalo envolvendo o Ueno Bank e teve seu impeachment declarado na sexta-feira pelo Congresso Nacional do Paraguai. O ex-líder do Paraguai é investigado por suspeitas de gestão fraudulenta e outros crimes relacionados à crise no país. Em imagens capturadas pela emissora de TV local, NPY, é possível observar o ex-presidente deixando seu carro, acompanhado de uma equipe policial, antes de entrar no prédio, onde deve realizar depoimentos às autoridades. A assessoria do Ministério Público do Paraguai confirmou a chegada de Peña à correspondente Luciana Taddeo, da CNN Brasil. A ordem de prisão foi assinada por promotores da Unidade Especializada em Crimes Econômicos e Anticorrupção e da Unidade Especializada em Crimes Informáticos. “As pessoas detidas deverão ser colocadas à disposição da autoridade competente dentro do prazo legal, com observância de seus direitos e garantias”, destacaram. Leia Mais: Viagem de Leão: Lembre outras visitas de papas à América Latina EUA oferecem US$ 20 milhões por informações sobre programa nuclear do Irã Rússia mira influência na África enquanto guerra na Ucrânia continua Promotores que falaram do lado de fora da casa de Peña, em Assunção, disseram que as acusações ainda estavam sendo definidas, mas poderiam incluir tráfico de influência. A ordem do Ministério Público foi anunciada pouco tempo após o Senado aprovar o impeachment de Peña e destituir o presidente. O placar para a destituição foi de 44 votos a favor e uma abstenção. A Câmara dos Deputados já havia aprovado a movimentação um dia antes. O antigo vice-presidente, Pedro Alliana, assumiu a liderança do país após a retirada de Peña do poder ser confirmada. Entenda a crise no Paraguai O banco Ueno, de propriedade do Grupo Vázquez, fechou suas portas na terça-feira (3) depois que o Banco Central do Paraguai iniciou um processo de liquidação da instituição ao constatar um déficit em seus índices de solvência relacionado a empréstimos concedidos a empresas vinculadas. Peña, um economista que assumiu o governo em 2023 , foi acionista até março do ano passado do grupo proprietário do banco, que contava com cerca de 3 milhões de clientes e concentrava cerca de US$ 850 milhões (equivalente a cerca de R$ 4,6 bilhões) em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social. A oposição acusou Peña de conflito de interesses , manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e encobrimento institucional por parte do Banco Central, entre outros pontos. “Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente… o senhor é a origem desse monstro que criou”, disse a deputada da oposição Rocío Vallejo durante sessão, pouco antes de apresentar a acusação contra o presidente. Peña afirmou em uma publicação na rede social X que os responsáveis pelas irregularidades responderão perante a Justiça, sem exceções, pouco antes de promulgar uma lei que permitirá aos poupadores do Ueno recuperar seu dinheiro em menos tempo.