Vacina contra a gripe: o que você ainda precisa saber?
Infectologista explica por que a vacinação anual é necessária e esclarece mitos sobre a imunização
Campanhas anuais de imunização têm ganhado força ao longo dos anos. Mas apesar disso, ainda existem mitos, tabus e desinformações a respeito da vacina contra a gripe. Apesar de ser uma doença conhecida pela população, a infecção ainda pode provocar complicações graves, internações e até mortes, principalmente entre pessoas mais vulneráveis. Dentro desse contexto, a vacinação anual segue como uma das principais estratégias para reduzir os impactos da doença, que tem como principais sintomas febre, dores musculares, cansaço e mal-estar. No entanto, a influenza pode representar um risco muito maior do que um simples desconforto respiratório. De acordo com o o médico infectologista Nelson Barbosa, existem dois fatores principais que justificam a vacinação anual: a diminuição da proteção oferecida pela dose anterior e as mudanças constantes nos vírus que circulam. “A vacina precisa ser atualizada e administrada anualmente por dois motivos principais. O primeiro é que a proteção oferecida pela vacina diminui gradualmente com o passar dos meses. O segundo é que os vírus da influenza sofrem mudanças constantes, e as cepas que circulam podem ser diferentes de um ano para o outro. Por isso, a composição da vacina é atualizada periodicamente para acompanhar os vírus com maior probabilidade de circulação”, explica. Em outras palavras, renovar a dose possibilita o organismo a desenvolver uma resposta imunológica mais adequada aos vírus previstos para cada temporada. Mitos e desinformação A vacina é uma das ferramentas de prevenção contra a gripe, mas ainda assim, enfrenta resistência de boa parte da população. Para se ter uma ideia, na Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza em 2026, o Brasil alcançou cerca de 54,35% do público-prioritário, mantendo-se abaixo da meta oficial do Ministério da Saúde, que é de 90% para os grupos de maior risco. O infectologista Nelson Barbosa esclarece dúvidas sobre a vacina Foto: Arquivo Pessoal A baixa na adesão pode estar relacionada a informações equivocadas. Uma das crenças mais comuns é a de que a vacina pode provocar a própria doença, o que não corresponde à realidade. O médico infectologista explica, ainda, que a vacina utilizada no Brasil é, em geral, produzida com vírus inativados, ou seja, que não conseguem provocar a infecção pelo vírus influenza. “O que pode acontecer é a resposta apresentar algumas reações após a vacinação, como: dor e vermelhidão no local da aplicação, febre baixa, dor muscular, mal-estar e cansaço. No entanto, essas reações costumam ser leves e passageiras”, comenta. Por que se vacinar mesmo assim? A possibilidade de contrair gripe mesmo depois da vacinação também costuma gerar questionamentos. Isso acontece porque a imunização não oferece proteção de 100% contra a infecção. “Existe um ponto fundamental: mesmo quando a vacina não consegue impedir totalmente a infecção, ela pode reduzir significativamente o risco de desenvolver formas graves da doença”, contou o médico. A eficácia pode variar conforme as cepas em circulação, a correspondência entre os vírus previstos na vacina e aqueles que efetivamente circulam, além da idade e das condições de saúde de cada pessoa.