Suzy Rêgo: ‘Quero ser rica para ter liberdade’
“A cultura resiste” é um dos motes que move Suzy Rêgo atualmente. Ela, que se descreve em entrevista por e-mail ao Estadão como “um dínamo” e “belíssima”, demonstra extrema paixão pela profissão na hora de escolher trabalhos e novos projetos. Recentemente, ela atuou no elenco de Cinderela e o Segred
“A cultura resiste” é um dos motes que move Suzy Rêgo atualmente. Ela, que se descreve em entrevista por e-mail ao Estadão como “um dínamo” e “belíssima”, demonstra extrema paixão pela profissão na hora de escolher trabalhos e novos projetos. Recentemente, ela atuou no elenco de Cinderela e o Segredo do Pobre Milionário , novelinha vertical da Globo protagonizada por Gustavo Mioto . E também está no elenco de Meno Male , sucesso de público no teatro em São Paulo, atualmente em cartaz no Rio. “Todas as formas de expressão artística são bem vistas, a arte se manifesta de formas surpreendentes desde sempre, por ser subjetiva”, comenta sobre as novelinhas. “Respeito, boa educação, tolerância e bom senso devem sempre norteá-las.” Em Meno Male , Suzy interpreta Luísa, uma personagem que descreve como “pernóstica, poderosa, chique e gananciosa”, e divide o palco com nomes como Nuno Leal Maia , Joaquim Lopes e Carmo Dalla Vecchia . A peça, escrita por Juca de Oliveira há 40 anos, propõe uma crítica social centrada na tradicional bairro italiano da Mooca, em São Paulo, e os bastidores do poder em Brasília e na capital paulista. Em entrevista em junho ao Estadão sobre a peça, Maia chegou a criticar a alteração da relação de trabalho com os talentos na Globo. “A Globo é burra para caramba. Jogou fora todos os atores e apostou nos influenciadores digitais [atores com muitos seguidores nas redes sociais]. Aliás, não a Globo, as pessoas que a comandam. Limparam, trocaram todo mundo”, afirmou. Suzy também já esteve no elenco de grandes novelas da televisão, como O Salvador da Pátria . Marcou A Viagem com a personagem Carmem. Agora, diz que sente vontade de voltar ao horário nobre. Quando a reportagem comenta sobre sua última novela na Rede Globo ter sido Todas as Flores , de 2022, faz questão de frisar: “A última nem pensar. A mais recente”. Mesmo ao falar sobre saúde física e mental, comenta também sobre o trabalho. “Quero ser rica para ter liberdade e viajar nas entressafras dos trabalhos, pagar contas sem estresse e agradecer por trabalhar com o que amo. Minha saúde mental é trabalhar, trabalhar e trabalhar. Sou ativa e assim sigo”, afirma. O Estadão conversou com a atriz sobre o histórico da carreira e sua vida. A entrevista foi editada para melhor compreensão. Suzy, você integra uma parte importante da história da TV brasileira e se mostra muito aberta às novas formas de consumir entretenimento hoje. Você acha que a premissa de a cultura estar em crise é correta? Por quê? A cultura resiste. São muitas peças em cartaz, grandes musicais, shows, festivais, mostras culturais, produções em todo o setor audiovisual, exposições, lançamentos de livros, streaming... Hoje, você está em cartaz com ‘Meno Male’ no Rio. O teatro tem dado mais prazer do que a TV? Como é a sua relação com a atuação hoje? Estou sempre disponível para projetos e amo fazer TV, teatro, cinema, streaming e o que mais possa surgir de interessante em artes cênicas. Amo atuar. Como tem sido a recepção da peça? E viver a personagem Luísa? A peça é um sucesso de público e crítica; é um clássico do Juca de Oliveira com direção afiada de Léo Stefanini, um elenco superalinhado e personagens sensacionais para os intérpretes. A Dra. Luísa é um presente para mim: cheia de camadas e com caráter duvidoso, que diverte e propõe reflexões ao público — pernóstica, poderosa, chique e gananciosa. Recentemente, você fez ‘Cinderela e O Segredo do Pobre Milionário’ para a Globo. As novelinhas verticais ainda fazem tradicionalistas torcerem o nariz. Como você vê essa novidade da dramaturgia? Todas as formas de expressão artística são bem-vindas. A arte se manifesta de formas surpreendentes desde sempre, por ser subjetiva. Respeito, boa educação, tolerância e bom senso devem sempre norteá-las. Em que difere a forma de atuar em uma novelinha e em uma novela tradicional? Uma novelinha vertical tem o projeto fechado, independentemente de resultado de audiência, e as diárias de gravações são predefinidas. A equipe é menor e as cenas são mais compactas. É um formato superinteressante e desafiador para todos. Sou fã de novidades inteligentes e geradoras de emprego de qualidade. Sua última novela tradicional na Globo foi ‘Todas as Flores’. É uma vontade voltar para o horário nobre? Você já tem estudado essa possibilidade? A última nem pensar: a mais recente! Sempre estou disposta a trabalhar. Que venham os projetos criativos, interessantes e bem remunerados. Sou um dínamo. Há um preço em precisar sustentar a fama por tanto tempo? Como você lida com a questão da saúde mental e física? Sou profissional de artes cênicas há 40 anos. Trabalho por vocação, paixão e devoção à arte. Sou conhecida por trabalhos realizados. Vou viver desse ofício até sempre. Quero trabalhos relevantes e valorizados no mundo. Quero agir, atuar, contar histórias, quero reconhecimento e respeito por minha trajetória, quero remuneração decente, quero produzir e abrir caminhos para quem vem com afinco e entrega para a profissão. Quero ser rica para ter liberdade e viajar nas entressafras dos trabalhos, pagar contas sem estresse e agradecer por trabalhar com o que amo. Minha saúde mental é trabalhar, trabalhar e trabalhar. Sou ativa e assim sigo. Na saúde física, treino e me alimento bem. Mente sã e corpo são. E sou belíssima.