Após semanas de protestos, atos deste sábado na França reúnem menor número de pessoas
A mobilização social reuniu menos manifestantes do que o esperado, mas mantém a pressão sobre o governo do primeiro-ministro Sébastien Lecornu. Em Paris, neste sábado nublado, temperatura de 10 graus, cerca de 46 mil pessoas participaram esta tarde do cortejo que foi da Praça da República à Praça da
A mobilização social reuniu menos manifestantes do que o esperado, mas mantém a pressão sobre o governo do primeiro-ministro Sébastien Lecornu. Em Paris, neste sábado nublado, temperatura de 10 graus, cerca de 46 mil pessoas participaram esta tarde do cortejo que foi da Praça da República à Praça da Nação. A adesão, portanto, ficou muito abaixo das previsões das autoridades que esperavam até 60 mil manifestantes só na capital e 130 mil no país todo. Esse cortejo, então, já chegou ao fim, esses números, portanto, não devem mudar. Mais uma vez, os protestos reúnem sindicatos, organizações estudantis e movimentos de jovens que denunciam o aumento do custo de vida na França, a perda do poder de compra, a deterioração das condições sociais e também a situação nas escolas. Entre os participantes, o sentimento hoje era de insatisfação. Eles criticam desigualdades e também o distanciamento da classe política, da população. Até agora, tudo correu com muita tranquilidade, com poucas cenas de violência, apenas em Bordeaux e Marcélia, na dispersão do cortejo, e também em Lyon, onde, aliás, não havia sido autorizada nenhuma manifestação. Apesar dessa participação mais modesta, o governo veio preparado. Ele manteve um amplo esquema de segurança, 70 mil policiais e agentes mobilizados em todo o país. Até o início da tarde, havia um número de 15 mil controles feitos nos metrôs, nas rodovias, nas estações ferroviárias para impedir justamente o transporte de armas, objetos perigosos para esses cortejos. Há um clima, assim, de tensão no ar por causa de episódios anteriores, especialmente no dia 17 de outubro, que a gente noticiou bastante, o que acabou levando muitos comerciantes de Paris hoje a fechar as portas novamente, a proteger as vitrines com tapumes, temendo atos de vandalismo. Além dos prejuízos imediatos, claro, eles estão preocupados com o impacto futuro dessa crise na imagem internacional de Paris, e principalmente no período de Natal, que se aproxima e que é tradicionalmente um dos mais importantes para o comércio aqui. Então, como eu disse, resumindo, a situação hoje é calma em Paris, eles dizem que até o momento não há confrontos com a polícia, mas paralelamente a essa manifestação dos estudantes, a qual me refiro, há os integrantes do Movimento dos Coletes Amarelos. Esses convocaram uma manifestação separada na Praça da Concórdia, no centro de Paris, só que a polícia proibiu o acesso à Praça da Concórdia, que está cercada, ninguém é autorizado a acessar então aquela região. O movimento social deve continuar, uma coalizão de sindicatos e professores e estudantes já convocou uma nova greve nacional para a próxima terça-feira. Na segunda, representantes estudantis vão ser recebidos pelo governo em Paris, pelo Sébastien Lecornu, para discutir as reivindicações que, até o momento, vêm alimentando uma das maiores ondas de contestação social dos últimos anos na França.