Rubio ameaça demissões e aperta controle no Departamento de Estado dos EUA

Por InfoMoney · Categoria: Mercado ·

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, decidiu reforçar o controle sobre o Departamento de Estado e advertiu funcionários de alto escalão de que comportamentos antiéticos poderão resultar em demissão, independentemente das conexões políticas dos envolvidos. Segundo quatro pessoas fa

Marco Rubio (Will Oliver/EPA/Bloomberg) " data-large-file="https://www.infomoney.com.br/wp-content/uploads/2026/04/453225097.jpg?fit=1000%2C667&quality=70&strip=all" /> O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio , decidiu reforçar o controle sobre o Departamento de Estado e advertiu funcionários de alto escalão de que comportamentos antiéticos poderão resultar em demissão, independentemente das conexões políticas dos envolvidos. Segundo quatro pessoas familiarizadas com o assunto, Rubio também determinou que os assessores respeitem os limites de suas atribuições e evitem tomar decisões ou promover agendas políticas sem a devida coordenação com a cúpula do departamento. A mensagem foi transmitida em uma reunião realizada na semana passada, antes das derrotas do Partido Republicano nas eleições legislativas de terça-feira (3). O movimento ocorre em um momento em que figuras importantes do partido tentam se distanciar de um governo Donald Trump cada vez mais impopular, enquanto começam as articulações para a disputa presidencial de 2028. Leia também CEO da Arko: “Onda azul” facilitará que demandas do Brasil cheguem à Casa Branca Thiago de Aragão, durante participação na Conferência MBA Brasil, disse que distritos democratas vão pressionar mais o presidente dos EUA, Donald Trump Rubio endurece cobrança após denúncias contra embaixadora A reunião ocorreu após a renúncia da embaixadora americana na Grécia, Kimberly Guilfoyle , em meados de outubro. A saída da diplomata ganhou repercussão depois que reportagens levantaram suspeitas de que ela teria oferecido acesso a autoridades do governo Trump em troca de dinheiro, presentes e favores. Guilfoyle classificou as informações como falsas e afirmou, em publicação nas redes sociais, que defenderia sua reputação. Na reunião, que contou com a presença de muitos dos cerca de 24 secretários adjuntos de Estado, Rubio afirmou que comportamentos antiéticos levariam à demissão, independentemente da influência política ou das relações pessoais de cada funcionário, segundo uma das fontes. O secretário também demonstrou insatisfação com integrantes da equipe que estariam tomando decisões ou conduzindo iniciativas políticas sem coordenação. Segundo as fontes, ele deixou claro que decisões importantes precisam de sua aprovação ou do vice-secretário de Estado, Christopher Landau. Os detalhes da reunião, relatados por pessoas que falaram sob condição de anonimato, não haviam sido divulgados anteriormente. O Departamento de Estado se recusou a comentar o encontro. Leia também Trader tenta recuperar perdas, faz 85 operações e perde R$ 25 mil em um dia Após prejuízo expressivo, trader relata como aprendeu a reduzir o número de contratos, simplificar sua estratégia e valorizar o controle emocional nas operações Saída de assessor amplia tensões internas Pouco depois da reunião, Jeremy Lewin, responsável pela área de políticas do Departamento de Estado, deixou o cargo. Segundo três fontes ouvidas pela Reuters, Lewin teria sido pressionado a sair, em parte devido a preocupações de que estivesse atuando em assuntos fora de sua área de responsabilidade, sem a coordenação necessária. Os detalhes dessas preocupações permanecem pouco claros. Nenhuma das fontes sugeriu que a saída de Lewin estivesse relacionada a episódios de má conduta ética. Lewin ingressou no governo como integrante do Departamento de Eficiência Governamental, iniciativa associada a Elon Musk, e ajudou a desmantelar a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), responsável pela supervisão da ajuda externa americana. Rubio e outros integrantes da liderança do Departamento de Estado estavam frustrados com a postura de Lewin de “agir por conta própria” e contrariar “certas diretrizes do secretário”, afirmou uma das fontes, sem apresentar exemplos específicos. Nomeado para a função de alto escalão pouco mais de dois meses antes, Lewin havia anunciado nas redes sociais, em outubro, que deixara o governo para retornar ao setor privado. Questionado sobre o assunto, um funcionário do Departamento de Estado afirmou que “foi decidido de comum acordo que era hora de Lewin seguir em frente”. Em comunicado à Reuters, Lewin negou ter sido demitido e afirmou que sua saída estava planejada havia várias semanas. “A sugestão de que fui demitido é falsa. Conforme planejado há semanas com o secretário e sua equipe, depois de permanecer mais tempo do que o esperado para concluir projetos importantes, renunciei ao meu cargo antes das eleições de meio de mandato para assumir uma função no setor privado e planejar meu casamento”, declarou. “Isso não teve nada a ver com qualquer reunião ou política relacionada à gestão do departamento.” As insatisfações de Rubio também envolviam o número considerado excessivo de viagens internacionais realizadas por funcionários de indicação política. Segundo outra fonte, o secretário passou a exigir que seu gabinete aprove previamente todas essas viagens. Republicanos começam a mirar eleição presidencial de 2028 A derrota dos republicanos nas eleições de meio de mandato abriu uma nova etapa de articulações políticas nos Estados Unidos. Com os democratas conquistando o controle da Câmara dos Representantes e do Senado, a corrida presidencial de 2028 começou a ganhar força entre possíveis candidatos republicanos. O vice-presidente JD Vance e o senador republicano Ted Cruz publicaram análises sobre os resultados eleitorais na rede social X. Muitos estrategistas interpretaram as manifestações como sinais das posições políticas que os dois poderão defender na próxima disputa presidencial. Rubio, por sua vez, tem procurado minimizar notícias de que estaria considerando uma candidatura à Casa Branca, mas também não descartou publicamente essa possibilidade. Caso decida concorrer, sua gestão à frente do Departamento de Estado poderá se tornar um dos temas da campanha eleitoral. O governo Trump vem enfrentando acusações recorrentes de conflitos de interesse. Os democratas já anunciaram que pretendem investigar as relações entre assessores de Trump, empresas e autoridades estrangeiras quando assumirem o controle do Congresso, em janeiro. O governo americano nega as acusações de conflito de interesses. Departamento de Estado acumula saídas e denúncias Pouco depois da saída de Guilfoyle do governo, em outubro, Rubio enviou um memorando aos funcionários do Departamento de Estado lembrando os diplomatas da necessidade de “evitar conflitos de interesse”, segundo diferentes veículos de imprensa. Posteriormente, o secretário negou que o documento tivesse sido motivado pela saída da embaixadora. Rubio afirmou aos jornalistas que já pretendia divulgar a orientação semanas antes, mas que o envio havia sido adiado por razões burocráticas. Assim como outras áreas do governo Trump, o Departamento de Estado registrou recentemente a saída de funcionários de alto escalão. Em outubro, o representante especial dos Estados Unidos para Parcerias Globais, Paolo Zampolli, foi demitido após o site Politico divulgar uma troca de e-mails entre ele e Christopher Landau. Nas mensagens, Landau acusava Zampolli de atuar fora de sua área de responsabilidade, ligada à diplomacia cultural, contrariando orientações do vice-secretário. A Reuters não conseguiu determinar exatamente quais assuntos estavam envolvidos nas divergências. Após deixar o cargo, Zampolli escreveu no X que as nomeações de enviados especiais têm duração legal de um ano e que Trump havia prorrogado seu mandato por mais de seis meses. The post Rubio ameaça demissões e aperta controle no Departamento de Estado dos EUA appeared first on InfoMoney .