Japão e Amazônia: laços ainda mais fortes
Sinto enorme orgulho ao ver que cerca de 40 empresas japonesas, incluindo a Moto Honda, mantêm atividades comerciais na Zona Franca, gerando mais de 20 mil empregos
É com grande satisfação que escrevo este artigo sobre as relações entre o Japão e a Amazônia, por ocasião da minha visita a Manaus para prestigiar a cerimônia em comemoração ao 50º aniversário de fundação da Moto Honda da Amazônia na Zona Franca de Manaus. Sinto enorme orgulho ao ver que cerca de 40 empresas japonesas, incluindo a Moto Honda, mantêm atividades comerciais na Zona Franca, gerando mais de 20 mil empregos e contribuindo significativamente para o desenvolvimento econômico e social da região. Não posso deixar de citar os esforços e as contribuições dos imigrantes japoneses e de seus descendentes. Eles enfrentaram inúmeros desafios em uma realidade onde o clima, a cultura e a língua eram totalmente diferentes do Japão. No entanto, com perseverança e resiliência, superaram essas adversidades e hoje gozam de profundo respeito por parte do povo amazônico. Um exemplo desse reconhecimento foi a oficialização do Bairro Colônia Japonesa, em dezembro do ano passado, no município de Manaus. Gostaria também de destacar a colaboração entre o Estado do Amazonas e a comunidade japonesa na criação de escolas bilíngues português-japonês. Espero sinceramente que essas escolas bem como as organizações nipo-brasileiras, como a Associação Nipo-Brasileira da Amazônia Ocidental, e instituições de ensino de língua japonesa, como o curso de letras – língua e literatura japonesa da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), continuem oferecendo oportunidades para que as crianças brasileiras conheçam e se conectem com a cultura japonesa de forma duradoura. O Japão e a Amazônia possuem um longo histórico de cooperação, sobretudo na área de conservação da Floresta Amazônica. A parceria científica entre o INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) e a JICA (Agência de Cooperação Internacional do Japão) é de longa data e focada na pesquisa e conservação da biodiversidade local. Além disso, há muito tempo o Japão fornece imagens de satélite para o monitoramento do desmatamento e orgulha-se de ser o único país asiático a contribuir para o Fundo Amazônia. Gostaria ainda de levar ao seu conhecimento que o Japão está iniciando um projeto voltado para a recuperação de pastagens degradadas. Por meio da JICA, forneceremos cooperação técnica e financeira para tornar essas áreas mais sustentáveis, ajudando a prevenir o desmatamento na Amazônia. Diante da relevância dessas relações, o Japão tem a honra de ser um dos poucos países a manter um Consulado-Geral em Manaus. Em 2028, celebraremos os 120 anos da imigração japonesa no Brasil e, em 2029, os 100 anos da imigração japonesa na Amazônia. Continuarei trabalhando em estreita colaboração com o Consulado para fortalecer ainda mais os laços entre os dois países.