Pombini II – o retorno: o ‘plano’ de Lara Resende é só repeteco do pombinato
Em agosto de 2011 o Copom se reuniu em meio a um ciclo de aperto monetário. Naquele encontro, porém, o BC surpreendeu o mercado – o chamado “cavalo de pau” – reduzindo a Selic em 0,50 ponto percentual, movimento justificado à época pelo temor de uma “deterioração do cenário internacional (que) cause
Em agosto de 2011 o Copom se reuniu em meio a um ciclo de aperto monetário. Naquele encontro, porém, o BC surpreendeu o mercado – o chamado “cavalo de pau” – reduzindo a Selic em 0,50 ponto percentual, movimento justificado à época pelo temor de uma “deterioração do cenário internacional (que) cause um impacto sobre a economia brasileira equivalente a um quarto do impacto observado durante a crise internacional de 2008/2009 ”. A crise esperada não se manifestou, mas o BC seguiu cortando a taxa de juros até atingir 7,25% ao ano em outubro de 2012. As atas do Copom durante o período justificaram o afrouxamento em parte pela perspectiva de manutenção de superávits primários entre 2012 e 2014 equivalentes a 3,1% do PIB . Na prática, o setor público então registrou superávits de 2,2% do PIB em 2012, 1,7% do PIB em 2013 e déficit de 0,6% em 2014 (apesar das “pedaladas”). Assim, a inflação acelerou ainda mais, mesmo com preços de combustíveis e energia artificialmente controlados. O IPCA rodava ao ritmo de 6-6,5% ao ano; já a medida de inflação que desconsiderava o efeito dos preços represados registrava 7-7,75%, revelando problema bem mais sério. O BC também vendeu dólares para moderar a pressão sobre o câmbio e a inflação: em agosto de 2011 possuía, além das reservas, US$ 9,5 bilhões comprados no mercado futuro; em dezembro de 2014, a posição vendida atingia US$ 107 bilhões, variação de quase US$ 117 bilhões. O resultado desta política insustentável é conhecido. A inflação disparou, assim como o dólar , e o BC teve de elevar a Selic até 14,25% naquele ano, enquanto registrava prejuízo de mais de R$ 160 bilhões (a preços de hoje) na sua venda de dólares futuros. É fundamental recordar o ocorrido, à luz da proposta de André Lara Resende (ALR) . Seu “plano” para trazer a Selic para 7,5% ao ano em 12 meses na verdade envolve baixar a taxa para tal patamar, mas com uma promessa de fazer um ajuste fiscal por meio de um comitê que “coordenaria” as políticas monetária e fiscal, sem dizer muito bem como chegaríamos lá. Eventuais pressões sobre a taxa de câmbio seriam evitadas por meio da venda de dólares das reservas do BC (ALR fala em US$ 350 bilhões, mas a posição cambial líquida do BC, que considera vendas futuras, é bem menor, US$ 259 bilhões). Quer parecer muito sofisticada, mas, observada de perto nada mais é do que o repeteco do pombinato . Talvez eu sofra de falta de imaginação, mas me escapa como o resultado de políticas tão similares poderia ser muito diferente.