Três maiores bancos lucram R$ 22,61 bi no 3º trimestre, avanço de 2,4%

Por CNN Brasil · Categoria: Nacional ·

Expectativa do mercado era de que o grupo de bancos privados de varejo do Brasil tivesse apurado ganho agregado de R$ 22,6 no trimestre encerrado em setembro

Os três principais bancos privados de varejo do País – Itaú Unibanco , Bradesco e Santander Brasil – registraram lucro combinado de R$ 22,61 bilhões no terceiro trimestre, de acordo com dados compilados pela Broadcast , sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. O número representa crescimento de 2,4% na comparação com igual período do ano passado e de 0,6% ante os três meses imediatamente anteriores. A expectativa do mercado era de que o grupo tivesse apurado ganho agregado de R$ 22,6 bilhões no trimestre encerrado em setembro, conforme a média das estimativas das casas consultadas pelo Prévias Broadcast . Leia Mais Fenabrave: Agências de veículos pedem adiamento da reforma tributária VA e VR devem ser aceitos em qualquer maquininha a partir de hoje (7) Vendas no varejo caem 2,1% em outubro, mostra iGet O aperto no bolso das famílias e no caixa das empresas continuou como o tema central na temporada de balanços, diante do ritmo lento de alívio dos juros. Com a renda dos consumidores comprometidas, sobra menos espaço para honrar compromissos de crédito em dia, em um movimento que eleva a inadimplência no setor bancário. O fenômeno ficou visível nos resultados dos três bancos, mas se refletiu em níveis bem distintos de deterioração. O Santander enfrenta a pressão mais forte do trio, diante de desafios nas carteiras de agronegócio baixa renda. O Bradesco, por sua vez, deu novos sinais de evolução na recuperação estrutural que vem implementando há dois anos, mas o ambiente macroeconômico restritivo retardou a melhora da rentabilidade e impôs revés na inadimplência. Já o Itaú seguiu como o mais resiliente do grupo, como consequência, de uma disciplinada gestão de risco que, desde antes da piora do ciclo, vinha dando preferência para linhas de crédito mais seguras. Fiscal e juros pesam A reação dos mercados à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve complicar ainda mais as perspectivas. O petista tem dado poucos sinais de que pretende promover um ajuste fiscal significativo, considerado uma das condições para que o Banco Central consiga reduzir mais rapidamente a Selic , hoje em 13,75% ao ano . “O contexto pós-eleitoral reforça um cenário de taxas de juros elevadas por um período prolongado, aumentando a atratividade de negócios [bancários] com lucros previsíveis, forte retorno de capital e geração de caixa no curto prazo”, afirmam analistas do Citi. Para o Bradesco , que abriu a temporada de balanços, a mudança no cenário degenerou o humor do mercado com a recuperação capitaneada pelo presidente da instituição, Marcelo Noronha. O Banco da Cidade de Deus teve o 11° trimestre consecutivo de crescimento sequencial do lucro líquido, a R$ 7,1 bilhões, graças à resiliência das receitas com serviços e o controle dos custos. No entanto, viu seu retorno sobre patrimônio cair para 15,6% , embora tenha havido um efeito da operações de aumento de R$ 10 bilhões no capital, sem o qual a métrica teria ficado praticamente estacionada em 16,1%. Ao apresentar os números, Noronha reconheceu o quadro macro complexo. “Com comprometimento da renda das famílias maior e endividamento das empresas, temos que ter mais cautela e andar mais devagar”, disse. BC puxa freio e encerra ciclo após 5 cortes de juros; Selic fica em 13,75% | FECHAMENTO DE MERCADO No Santander , o lucro líquido registrou tombo de 28% no comparativo anual, a R$ 2,9 bilhões no terceiro trimestre. O resultado produziu um retorno sobre o patrimônio 5,6 pontos porcentuais mais baixo, em 11,9%, na contramão da meta de elevar o indicador a 20% até 2028, estabelecida pela matriz espanhola. Em Madri, a ação da matriz recuava 5%, influenciada em parte pelo Brasil. “São números obviamente abaixo do patamar de rentabilidade que buscamos”, admitiu o presidente do Santander Brasil, Gilson Finkelsztain, em teleconferência com analistas. “Ao mesmo tempo, precisam ser considerados o cenário macroeconômico que estamos passando e o processo de rebalanceamento do banco”, argumentou. Já o Itaú teve um trimestre de relativa estabilidade, com lucro líquido de R$ 12,617 bilhões e RoE de 23,6% , de longe o maior do setor. O banco continuou mostrando disciplina na gestão do crédito e de custos, mas apresentou um desempenho fraco na geração de receitas, principalmente em bancos de capitais. “Os resultados vieram muito bem em termos absolutos e melhor ainda em termos relativos, quando comparados com os desempenhos de outros nomes no mercado”, disse o diretor de Estratégia Corporativa, Relações com Investidores e M&A Proprietário do banco, Renato Lulia, em entrevista à Broadcast .