Flávio diz que pai ficou com lágrimas nos olhos após ordem de Moraes
Senador relata reação de Jair Bolsonaro à determinação para entregar passaportes; congressista deixou o Brasil no dia seguinte
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ficou com os olhos cheios de lágrimas ao saber da ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, para que o congressista entregasse seus passaportes. O relato foi feito ao jornal norte-americano Washington Post , em entrevista publicada neste sábado (7.nov.2026). Flávio visitou o pai em Brasília em 26 de outubro, 1 dia depois de ser derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no 2º turno das eleições. Segundo o senador, os 2 conversaram por cerca de 30 minutos. Ao deixar a casa de Jair, Flávio disse ter encontrado policiais federais do lado de fora. Na ocasião, Moraes havia determinado a entrega de seus passaportes em até 24 horas, por causa de uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro. “Meu pai olhou para mim, com lágrimas nos olhos, e disse: ‘Você já sabe onde isso vai dar'” , relatou Flávio. “Eu disse a ele que sabia, e que sabia o que tinha que fazer” , acrescentou. O senador não cumpriu a determinação judicial e deixou o Brasil em 27 de outubro, sem comunicar previamente sua saída aos principais aliados políticos. Ele reapareceu em Miami, nos Estados Unidos, no dia seguinte, acompanhado da mulher e das duas filhas. Depois da viagem, Flávio afirmou que decidiu sair do país com a mulher e manter o plano em sigilo para evitar que fosse impedido de viajar. O senador também se recusou a revelar a rota utilizada para chegar aos Estados Unidos. Na entrevista ao Washington Post , Flávio disse que ainda precisa regularizar sua situação migratória no país norte-americano e não definiu quando retornará ao Brasil. O congressista tem mandato no Senado até 31 de janeiro de 2027. PRISÃO DE JAIR O ex-presidente foi condenado pelo STF a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros crimes relacionados à trama para impedir a posse do presidente Lula depois das eleições de 2022. A condenação foi determinada pela 1ª Turma da Corte em setembro de 2025. Bolsonaro, que cumpria prisão domiciliar em Brasília quando recebeu a visita de Flávio, também foi considerado culpado por liderar uma organização criminosa armada, tentar abolir violentamente o Estado Democrático de Direito, causar dano qualificado e deteriorar patrimônio tombado.