Juros altos e inflação: entenda a tese econômica defendida por André Lara Resende
André Lara Resende propõe Selic a 7,5% ao ano, mas economistas alertam para riscos à inflação, ao câmbio e à dívida pública O post Juros altos e inflação: entenda a tese econômica defendida por André Lara Resende apareceu primeiro em Times Brasil | CNBC.
O economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, defende uma mudança na política econômica brasileira. Sua proposta prevê reduzir gradualmente a taxa básica de juros ( Selic ) para aproximadamente 7,5% ao ano, em cerca de 12 meses. A ideia parte de um diagnóstico: o custo elevado dos juros é um dos principais fatores de crescimento da dívida pública e dificulta o equilíbrio das contas do governo. A discussão ganhou força depois que José Sergio Gabrielli, coordenador do programa de governo da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva , apoiou uma maior coordenação entre as políticas fiscal e monetária. A manifestação reacendeu o debate sobre o peso dos juros no endividamento público. Leia também: ‘Muito ruim’, ‘ridícula’ e ‘voluntarismo ingênuo’: economistas criticam proposta de Lara Resende para Selic a 7,5% Apesar disso, a proposta enfrenta resistência de economistas, que alertam para riscos de inflação, desvalorização do real e saída de investimentos. Por que Lara Resende considera os juros um problema fiscal? A tese do economista parte da relação entre a taxa de juros e o endividamento público. Para ele, o peso dos pagamentos de juros sobre a dívida brasileira supera a importância do déficit primário na explicação do avanço do endividamento. No artigo “Eu Acuso: uma proposta para eliminar os juros absurdos”, publicado em 25 de setembro, Lara Resende calcula que o custo médio da dívida chegou a 12,68% ao ano. Segundo seus números, os juros faziam a dívida bruta crescer aproximadamente 12,7% ao ano, enquanto o Produto Interno Bruto ( PIB ) nominal avançava perto de 7%. Essa diferença dificulta estabilizar a dívida em relação ao tamanho da economia. Por isso, o economista questiona uma estratégia fiscal concentrada em cortes de despesas e melhora do resultado primário, sem enfrentar o custo financeiro do endividamento. Como funcionaria a redução da Selic para 7,5%? A proposta prevê reduzir gradualmente os juros durante aproximadamente um ano. O cálculo considera uma meta de inflação de 3%, crescimento real potencial de 2,5% e um adicional de segurança de dois pontos percentuais. A soma levaria a Selic a aproximadamente 7,5% ao ano. Lara Resende também propõe criar um Conselho Fiscal e Monetário Nacional, com atribuições mais amplas do que as do atual Conselho Monetário Nacional ( CMN ). O órgão estabeleceria metas fiscais e monetárias para períodos de quatro a cinco anos, buscando evitar conflitos entre as duas políticas. A ideia não prevê retirar do Banco Central a responsabilidade pela condução da política monetária, mas ampliar a coordenação institucional, preservando sua autonomia e a atuação do Comitê de Política Monetária (Copom). Por que economistas criticam a proposta? As principais objeções envolvem os riscos de inflação e desvalorização cambial. Felipe Miranda, fundador da Empiricus Research, avalia que uma redução acelerada poderia estimular excessivamente a demanda e pressionar os preços. Ele também alerta que a diminuição da diferença entre os juros brasileiros e os internacionais poderia provocar saída de capitais, aumentar a procura por dólares e encarecer produtos importados. O professor da Universidade de Brasília (UnB) José Luis Oreiro concorda que os juros pesam sobre a dívida, mas classifica a estratégia como “voluntarismo ingênuo”. Para ele, seria necessário reformar a estrutura da dívida pública, especialmente os títulos indexados à Selic, antes de promover uma redução dessa magnitude. Ana Paula Vescovi, ex-secretária do Tesouro Nacional, considera arriscado utilizar as reservas internacionais para conter pressões cambiais. Jason Vieira, economista-chefe da Lev DTVM, também alertou para possíveis impactos sobre a inflação e os títulos públicos. Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central , igualmente questionou a viabilidade da proposta. Reservas internacionais na estratégia de André Lara Resende Lara Resende admite que a redução dos juros pode provocar desvalorização do real no curto prazo. Para suavizar esse movimento, defende o uso das reservas internacionais em intervenções no mercado cambial. Os críticos, porém, avaliam que utilizar esses recursos de forma recorrente poderia comprometer a proteção financeira do país e aumentar a desconfiança dos investidores. Leia também: Coordenador do programa de governo Lula endossa ideia de Lara Resende sobre fiscal e juros; economista propõe Selic a 7,5% O apoio de Gabrielli à coordenação entre as políticas fiscal e monetária não significa que o governo tenha adotado o plano. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que não existe reunião agendada entre Lula e Lara Resende e que a equipe econômica não discute apresentar a proposta ao presidente. Visualizando todos Stories Por que a China quer restringir telas gigantes nos carros elétricos? Por Andre Amadei Van com inteligência artificial consegue detectar buracos antes que eles se agravem Por Nathalia Gimenes Quais artistas já falecidos continuam faturando alto? 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